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Correio da Manhã

Portugal
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Pais sem ver filho há um ano e meio

Vítor Gago, pai de um jovem deficiente, está revoltado pela forma como o Instituto de Segurança Social de Faro está a tratar o processo do filho. Colocou o menor, há ano e meio, numa instituição na Madeira e não ajuda os pais a visitá-lo, como o tribunal decidiu.
23 de Agosto de 2009 às 00:30
Vítor Gago, pai de jovem deficiente, acusa a Segurança Social de não cumprir ordens do Tribunal de Menores
Vítor Gago, pai de jovem deficiente, acusa a Segurança Social de não cumprir ordens do Tribunal de Menores FOTO: algarvephotopress

"Devido à doença da minha mulher, que necessitou de internamento hospitalar, o Tribunal de Família e Menores de Faro decretou a institucionalização prolongada do meu filho", explica Vítor Gago, que concordou com a decisão. "A minha profissão, na construção civil, não me permite cuidar de um jovem, já com 16 anos, totalmente dependente, que não fala e ainda usa fraldas", reconhece.

Na decisão do tribunal, em 23 de Janeiro de 2008, ficou ainda estabelecido que o jovem seria colocado, por indicação da Segurança Social (SS), numa instituição da Madeira, mas com a indicação que deveria ser diligenciada a sua transferência para uma instituição no continente, de preferência no Algarve. O Tribunal decidiu, igualmente, que a SS articularia com a Câmara Municipal de Tavira e Junta de Freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo – onde a família reside – comparticipações nas despesas de deslocação para visitar o filho.

"Isto foi decidido há ano e meio e, desde então, nada foi feito para cumprir esta decisão", denuncia Vítor Gago, revoltado pela resposta dos serviços. "Falei, esta semana, com uma assistente social, que me disse não ter dinheiro para dar de comer a quem tem fome, quanto mais para pagar viagens turísticas", diz Vítor Gago, que não tem posses para visitar o filho único. "Não sei como está a ser tratado e tenho algum receio", admite. "O meu filho esteve internado em quatro instituições do Algarve e da última vez foi institucionalizado, em Lisboa, numa casa que parecia um palheiro, quando fui visitá-lo, estava cheio de nódoas negras", acusa Vítor Gago.

O CM tentou obter uma explicação da SS. Jorge Botelho, director do Instituto de Segurança Social de Faro, não se mostrou disponível para comentar o caso.

CÂMARA DE TAVIRA DIZ-SE DISPONÍVEL PARA DAR AJUDA

Macário Correia, presidente da Câmara Municipal de Tavira, mostrou-se "surpreendido" pela ordem, do Tribunal de Família e Menores de Faro, "que desconhecia", para que a Segurança Social providenciasse viagens dos pais do deficiente à Madeira.

"Não tenho conhecimento dessa decisão e estranhamos que, até agora, ninguém nos tenha, oficialmente, contactado", afirmou o autarca. O edil de Tavira garante "estar disponível" para analisar qualquer tipo de ajuda, "caso a Segurança Social o solicite", diz.

PORMENORES

MÃE

O jovem é portador de deficiência mental profunda e epilepsia. A mãe padece de doença de foro psiquiátrico. Por duas vezes foi internada por tentativa de suicídio.

PAI

O Ministério Público, na exposição que fez do caso ao Tribunal de Família e Menores, refere que o próprio Vítor Gago apresenta problemas de foro psíquico, não possuindo "nem competências nem aptidões para cuidar do jovem".

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