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Correio da Manhã

Portugal
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País volta a tremer

Estoril, Paço de Arcos, Parede e Benfica. Foram estas as localidades da Grande Lisboa que ontem, cerca das 16h40, terão sentido o sismo de magnitude 5.1 na Escala de Richter registado a 450 quilómetros a Oeste do Cabo de S. Vicente.
10 de Janeiro de 2006 às 00:00
O sismo, que foi sentido em terra com intensidade III na Escala de Mercalli Modificada e que também chegou ao Algarve e Aveiro, foi o maior dos últimos 50 anos num raio de cem quilómetros à volta do epicentro, embora não haja registo de vítimas ou danos materiais.
Uma réplica de magnitude 3.5 foi assinalada cerca de meia hora depois (17h09), mas o sismo terá passado praticamente despercebido já que nem bombeiros nem protecção civil registaram qualquer chamada de emergência. Apenas o Instituto de Meteorologia (IM) recebeu chamadas do exterior, mais concretamente seis telefonemas de particulares.
Em declarações ao CM, Iolanda Morais, do Departamento de Geofísica e Sismologia do IM, revelou que o sismo terá sido sentido apenas dentro de casa e em andares altos. “Nós aqui no Instituto sentimos as secretárias a tremer, mas foi uma coisa que ocorreu em fracções de segundo”, adiantou aquela fonte, garantindo não haver motivos para alarme: “Esta não é uma situação anómala.”
LAGOS SENTIU
Questionada sobre se o sismo terá tido o mesmo epicentro do terramoto de 1755, Iolanda Morais relembra que essa “é uma discussão que ainda está em aberto”.
A verdade é que à semelhança do terramoto que arrasou Lisboa, também este foi sentido no Algarve. Segundo o IM, o sismo terá sido sentido da mesma forma em Lagos, também aqui sem qualquer consequência. No ano passado, a 19 de Julho e 29 de Agosto, já tinham ocorrido a Sudoeste do Cabo de S. Vicente dois sismos de 4.6 nas escala de Richter que, no entanto, não chegaram a ser sentidos em terra pela população.
Este é o quinto sismo sentido em Portugal continental (ver ilustração) com uma magnitude superior a 3 graus na Escala de Richter desde o início do mês de Dezembro: Soure (1 de Dezembro, magnitude 3.8), Marvão (dia 19, magnitude 3.5), Mora (dia 29, magnitude 4.2 e uma réplica de magnitude 4.4).
RÉPLICAS PROVÁVEIS
Em média, Portugal regista por ano entre cinco a 20 sismos que são sentidos pelas populações. No ano passado foram registados 21. Segundo fonte do Instituto de Meteorologia é provável que algumas réplicas deste novo abalo sejam sentidas nas próximas horas.
SUSTO DE MORA ESTÁ BEM PRESENTE
A população de Mora não ganhou para o susto quando na madrugada de 29 de Dezembro foi acordada por dois sismos de magnitude de 4.2 e 4.4 na escala de Richter. Apesar da intensidade dos abalos, não houve vítimas nem se verificaram danos materiais, mas segundo os bombeiros locais foram recebidas mais de duas dezenas de chamadas. Amorim Ribeiro, segundo-comandante, foi um dos que sentiu de perto a terra tremer. “Os armários e as camas bateram muito. Tudo começou a tilintar. Parecia que tinha alguém a abanar-me a cama”, disse na altura ao CM. O sismo foi o maior sentido em Portugal no ano passado.
MEDIDAS A TOMAR
LOCAL SEGURO
Abrigue-se rapidamente num local seguro como no vão de uma porta interior firmemente alicerçada, debaixo de uma mesa pesada ou de uma secretária. Se não existir mobiliário sólido, encoste-se a uma parede interior ou a um canto e proteja a cabeça e o pescoço.
CUIDADOS NA RUA
Afaste-se de torres, postes, candeeiros de iluminação pública, cabos de electricidade ou de estruturas que possam desabar, como muros ou taludes. Não corra nem vagueie pelas ruas.
NA ESTRADA
Se for a conduzir pare no lugar mais seguro possível, de preferência numa área aberta, afastada de edifícios, muros, taludes, torres ou postes. Não pare nem vá para pontes, viadutos ou passagens subterrâneas.
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