Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Pânico na piscina

A pacata tarde de sábado na piscina de S. João da Madeira transformou-se num vendaval de violência e pânico, quando um grupo de duas dezenas de indivíduos entre os 20 e os 30 anos irrompeu pelas instalações e passou a agredir e a roubar indiscriminadamente os cerca de 400 utentes.
25 de Julho de 2005 às 00:00
Corpo de Intervenção da PSP, ontem, à porta da piscina de São João da Madeira
Corpo de Intervenção da PSP, ontem, à porta da piscina de São João da Madeira FOTO: Luís Lopes
Os funcionários da piscina municipal estão proibidos de contar aos jornalistas o que se passou, por incompreensível imposição do responsável, mas o caso foi ontem comentado por toda a cidade.
Do incidente não resultaram consequências físicas graves, “apenas” dois feridos ligeiros assistidos no hospital, mas o clima de insegurança que originou, e o tempo pouco encorajador fez com que o agradável complexo desportivo estivesse ontem quase às moscas.
O grupo de intrusos, armados de bastões e paus – há quem afirme que viu armas de fogo – galgou a rede que acede pelas traseiras às instalações, pelas 17h15, e desatou a roubar sacas e mochilas e a espancar quem se lhes atravessasse pelo caminho.
ACÇÃO DE RETALIAÇÃO
As cerca de quatro centenas de pessoas que ali se encontravam entraram em pânico, desatando em correrias e abandonando os seus haveres. Os pais tentaram proteger as crianças da onda de energúmenos que invadiu o espaço e muitos refugiaram-se no interior das instalações.
Os indivíduos não demoram mais de dois minutos, e foram largando as sacas roubadas depois de retirarem carteiras e telemóveis, regressando aos carros que os transportaram do Porto para S. João da Madeira.
Segundo as autoridades, o bando procurava um grupo rival, da freguesia vizinha de Milheirós, que duas semanas antes agrediu um dos seus. Como não os encontraram passaram a retaliar nos utentes, semeando o terror.
JURAS DE VINGANÇA
O incidente de há duas semanas era conhecido pela PSP, e como pelo meio havia juras de vingança, tomaram-se precauções para hoje, domingo, dia em que os de Milheirós vão à piscina. A antecipação de um dia, a todos apanhou desprevenidos.
O subcomissário Martins, do Corpo de Intervenção da PSP, chefia a equipa de seis elementos que vigia as instalações. “Há elementos que indiciam os autores, mas o caso está em inquérito. A nossa missão é proteger a população e proporcionar-lhes um dia de lazer tranquilo”, diz.
Quanto aos agressores, o facto de alguns deles envergarem artigos de propaganda do FC Porto revela de onde são e os círculos por onde se movimentam.
APREENSÃO E GARANTIAS DE SEGURANÇA
"ATRAI PORQUE É MAIS BARATA"
Gérson Oliveira, estudante de 16 anos, de Espinho, é um cliente regular da piscina de S. João da Madeira. “Venho para cá porque é mais barata que a de Espinho. Não sabia do que se passou ontem mas, se o soubesse, isso não me impediria de cá vir hoje”.
"NÃO SABIA DO INCIDENTE"
Utente habitual das piscinas de S. João da Madeira, Suse Oliveira, de 22 anos, de Espinho, reconhece que as instalações são muito agradáveis. “Esta piscina é bonita e vale a pena, mas o que aconteceu faz-me hesitar. Se soubsse do incidente não viria”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)