Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Pânico no supermercado

Clientes e empregados circulavam pelos corredores quando a pacata rotina do supermercado foi, de repente, invadida por uma vaga de terror. Os dois homens entraram de pistolas em punho e, quarta-feira à noite, tomaram de assalto o Modelo de Entrecampos, em Lisboa. Em menos de cinco minutos ‘limparam’ caixas, semearam o pânico – e fugiram de moto, sem deixar rasto.
10 de Março de 2006 às 00:00
Equipas do INEM, momentos após o assalto, no supermercado
Equipas do INEM, momentos após o assalto, no supermercado FOTO: Sofia Costa
O motor ficou a trabalhar lá fora quando os assaltantes cruzaram as portas automáticas, eram 21h20. Os dois de casacos pretos e capacetes brancos enfiados na cabeça “já traziam as pistolas na mão, quando começaram a gritar que aquilo era um assalto”, contou uma funcionária ao Correio da Manhã, minutos depois do crime.
O pânico instalou-se e, “no meio da confusão, as pessoas começaram a correr, com a maior parte a tentar esconder-se dentro do armazém”, ao fundo do supermercado. Entre gritos e atropelos, “houve até uma senhora que tropeçou, caiu e bateu violentamente com a cabeça no chão”.
Com o alvo bem definido, os dois homens não perderam tempo e concentraram-se nas caixas registadoras. De armas apontadas a três empregados, “dois rapazes e uma rapariga”, conseguiram ‘limpar’ três das caixas – e levaram “um balúrdio em notas”, garante a nossa fonte, que pede para não ser identificada. E o motivo é simples: “Estava ali dinheiro acumulado desde as 12h00...”
E quando os ladrões saíram do supermercado, passados “nem cinco minutos”, montados na moto e a alta velocidade pela Avenida da República, “muita gente não conseguiu aguentar os nervos – e uma senhora teve mesmo um ataque de pânico”. A mesma cliente foi assistida no local, minutos depois, por uma equipa do INEM que chegou de ambulância.
E quando o CM chegou ao Modelo de Entrecampos, ainda não eram 22h00, já a PSP tinha entregue a investigação à Polícia Judiciária – que deu imediatamente ‘caça’ aos dois assaltantes. Até ontem à tarde, os suspeitos não tinham sido localizados.
“Isto só pode ter sido gente que conhece bem a zona e os horários de funcionamento do Modelo”, diz a nossa fonte.
Até porque “esta não foi a primeira vez que o supermercado foi assaltado por homens de cara tapada. Só é lamentável que uma zona tão central não seja mais vigiada pela Polícia”.
CONSELHOS AOS CLIENTES
“Não oferecer resistência e tentar manter a calma” são os dois princípios que as pessoas apanhadas numa situação de assalto devem ter em mente, diz Helena Sampaio, psicóloga ao serviço da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
“É importante evitar o pânico ou fazer movimentos bruscos. Fugir, por exemplo, pode ser encarado pelos ladrões como uma reacção. Assim, as pessoas devem manter-se estáticas e obedecer ao que os assaltantes dizem. O pânico é um estado que se contagia facilmente. Nesse sentido quem consegue manter-se mais calmo deve transmitir essa calma aos outros clientes. Os adultos devem manter as crianças junto a si e distrai-las para que não façam barulho”, disse a mesma psicóloga.
OUTROS CASOS
MONTIJO
Faz hoje uma semana que clientes e funcionários do Staples Office Center do Montijo foram surpreendidos por um assalto. Durante cinco minutos foram mantidos reféns por três assaltantes com armas, que fugiram com centenas de euros nos bolsos.
AVEIRAS
Pelas 21h20 de 14 de Fevereiro, um cliente da área de serviço de Aveiras de Cima, na auto-estrada do Norte (A1), foi feito refém por um gang de três assaltantes. Libertaram-no ileso depois de se apoderarem da caixa registadora da área de serviço.
GAIA
A 11 de Abril de 2005 dois homens armados com caçadeiras de canos serrados irromperam pelo Lidl de São Félix da Marinha, em Vila Nova de Gaia. Com clientes e funcionários manietados, o gang levou todo o dinheiro de duas caixas registadoras.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)