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Correio da Manhã

Portugal
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PAPA ESCREVE BEST-SELLER

O Papa João Paulo II ofereceu "uma prenda a todos os católicos, como sinal de amor", ao autorizar ontem, dia do seu 84.º aniversário, o lançamento em toda a Itália de meio milhão de exemplares da obra autobiográfica 'Alzatevi, andiamo!' 'Levantai-vos. Vamos!'.
19 de Maio de 2004 às 00:00
João Paulo II escreveu a obra apesar da sua saúde debilitada
João Paulo II escreveu a obra apesar da sua saúde debilitada
Escrita na esteira do livro 'Dom e Esperança', que em 2000 vendeu mais de 20 milhões de cópias, a nova obra, de 180 páginas e com o preço de capa de 15 euros, é editada pela editora italiana Mondadori. Abarca uma introdução e sete capítulos, nos quais o Santo Padre retrata experiências e recordações vividas entre 1958, ano em que foi nomeado Bispo de Cracóvia, e os nossos dias.
Por vontade expressa de João Paulo II, que se sabe ter escrito esta obra entre Março e Agosto de 2003, a despeito da evidente fragilidade física, o produto das vendas será para obras de caridade.
De acordo com uma primeira leitura, facultada ao CM, em exclusivo, pelas Publicações Dom Quixote, que detém os direitos da edição para Portugal, "Levantai-vos. Vamos!" estará nas livrarias em meados de Junho. Segundo fonte da editora, "prevê-se uma tiragem inicial entre os 30 a 40 mil exemplares" (a tradução dos excertos aqui apresentados é da responsabilidade do CM).
Da leitura dos sete Capítulos, divididos em "a vocação, a actividade do bispo, empenho científico e pastoral, a paternidade do bispo, colegialidade episcopal, Deus e a coragem", recolhe-se a constatação de que o Papa pretende atingir o coração do maior número de pessoas, por meio de uma escrita simples, directa, tocada de profunda comoção humana.
"TENHO APENAS 38 ANOS"
O Capítulo I coloca o leitor perante a surpresa do momento em que padre polaco Karol Wojtyla sabe, pelo cardeal primaz da Polónia, Stefan Wysznski, que o Papa Pio XII o nomeara Bispo auxiliar. "Exclamei: Eminência, eu sou muito jovem, tenho apenas 38 anos. 'É uma fraqueza de que se libertará em breve. Peço-lhe que não se oponha à vontade do Santo Padre'."
Em a 'Actividade do bispo'", escreve: "Sigo o princípio de acolher qualquer um como uma pessoa que o Senhor me envia (...)". No Capítulo III, recorda figuras cuja fé e pensamento o impressionaram, como Edith Stein, mártir de Auschwitz. Em'A paternidade do bispo', confessa: "Pode dizer-se que uma diocese respeita o modo de ser do seu bispo, cujas virtudes - a castidade, a prática da pobreza, o espírito de oração, a simplicidade, a sensibilidade de consciência -, se inscrevem em certo sentido no coração dos sacerdotes. Estes, por seu lado, transmitem tais valores aos fiéis".
IIGREJA CATÓLICA TEM 'PAPEL ESPECIALÍSSIMO'
O primeiro-ministro, Durão Barroso, reconheceu o “papel especialíssimo” da Igreja Católica em Portugal, considerando que o princípio da igualdade entre as confissões religiosas previsto pela nova Concordata deve ser entendido de “modo realista”.
“As negociações [da Concordata] foram rodeadas de todos os cuidados jurídicos, (...) mas sem deixar de reconhecer, porque é um dado de facto, o papel especialíssimo que a Igreja Católica tem na sociedade e na história portuguesa”, afirmou.
Este papel especial da Igreja Católica está consagrado na nova Concordata, nomeadamente através do reconhecimento da especificidade da Universidade Católica Portuguesa.
Barroso lembrou a importância do “peso histórico e social extraordinariamente relevante” da Igreja Católica em Portugal, repetindo que “a questão da igualdade deve ser entendida em termos hábeis”.
“A Igreja Católica está ligada à fundação de Portugal, que se orgulha da sua história. A fundação da nacionalidade está ligada à Igreja, que faz parte da sua própria constituição no verdadeiro sentido da palavra”, acrescentou.
Ao mesmo tempo, apelou a que o processo de ratificação do documento seja feito “sem querelas” político-partidárias e reúna o maior consenso possível numa “matéria que deve unir os portugueses”.
Durão Barroso assinalou ainda que o ensino da religião e moral católicas não ficará só subordinado ao Estado. “Independentemente de sermos ou não crentes, todas as pessoas bem formadas reconhecem que a formação espiritual é um elemento fundamental na educação”.
Do encontro com o Papa, que manifestou “um grande afecto e consideração em relação a Portugal e aos portugueses”, Barroso ficou impressionado com as lembranças do Sumo Pontífice das visitas aos Açores, Madeira, Fátima e à Universidade de Coimbra. Timor-Leste e Moçambique foram outros temas abordados no encontro de 15 minutos na biblioteca pontifical.
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