Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
6

PAPA RECUPERA PORTUGUÊS

“Aos visitantes de língua portuguesa faço votos de que saibam ser promotores de paz e de alegria nas suas famílias e comunidades, levando a todos a Bênção do Papa. Louvado seja Deus Nosso Senhor Jesus Cristo!”. Foi esta a saudação em Português do Papa João Paulo, na oração do “Angelus” do passado domingo, dia 13, proferida em Castel’Gandolfo, onde se encontra de férias.
15 de Julho de 2003 às 00:00
Depois da polémica, João Paulo II voltou a falar em português
Depois da polémica, João Paulo II voltou a falar em português FOTO: Maurizio Brambatti
Depois da polémica gerada em Portugal, tanto nos meios católicos como políticos, que reagiram em uníssono ao facto do Santo Padre não ter utilizado a língua de Camões, quer na audiência geral de quarta-feira, 2 de Julho, quer na seguinte, João Paulo II recupera o Português.
“João Paulo II falou no domingo em língua portuguesa, contra os argumentos que por aí correram de que estaria cansado de não haver ninguém de língua portuguesa na audiência semanal do Angelus. O Papa dirigiu-se aos povos de língua portuguesa (portugueses e brasileiros) e a nenhum em especial, o que considero uma vitória!”, disse ao CM Aura Miguel, jornalista da Rádio Renascença que costuma acompanhar o Papa.
Apesar de tudo, recorde-se que João Paulo II já este ano falou quatro vezes em Português durante a oração do Angelus. A primeira, a 1 de Janeiro, aquando da solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, desejando “um Ano Novo sereno e feliz os povos de língua portuguesa.” A segunda, a 2 de Março, na qual dirigiu “uma saudação afectuosa aos peregrinos de Rio Maior (Portugal) e demais participantes de língua portuguesa.” A 11 de Maio, dizia:“É-me grato saudar a estima dos irmãos e irmãs de língua portuguesa, sobretudo os peregrinos do Patriarcado de Lisboa, Brandoa, Arroios e Olivais Sul.”
BISPOS FALAM EM VITÓRIA
Na altura em que João Paulo II “omitiu” o Português nas audiências gerais de quarta-feira, na Praça de São Pedro, os altos dignitários eclesiásticos nacionais pautaram as suas declarações pela prudência. Foi o caso de D. António Marcelino, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, aliás, um dos primeiros responsáveis da Igreja Portuguesa a manifestar o seu desagrado quando João Paulo II deixou, repentinamente, de dirigir-se aos peregrinos em Português. “Não acredito que exista algo contra Portugal”, referiu então ao nosso jornal. Agora, diz estar muito contente, embora considere que tenha havido algum “alarmismo.” “Importante, neste caso, foi o facto de não se dirigir a nenhum grupo específico de língua portuguesa”, sublinhou.
Por seu lado, D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas, refere ao CM: “Sendo o Português uma das línguas mais faladas no mundo, é óptimo que a mensagem do Papa chegue a uma pessoa no sentido de ela o compreender. Por outro lado, num país que ultimamente tem tido algumas ‘derrotas’, é magnífico saborear uma vitória... e que venham mais.” O CM sabe que, na sequência do “abandono” do Português, a diplomacia nacional fez saber junto da Santa Sé o seu desagrado.
MOMENTOS
ANGELUS
A oração do Angelus foi instituída pelo Papa João XII (1316-1334). Então, era celebrada todos os dias ao pôr-do-sol, e já tinha como pretexto principal homenagear a Virgem Maria e o mistério da Encarnação. João Paulo II tem por hábito associar ao Angelus um tema de actualidade, que desta vez foi a Europa.
EUROPA
Na sua mensagem dominical, o Sumo Pontífice falou sobre o futuro da Europa. Um continente que, disse o Papa, está de costas viradas para Deus, como se Ele não existisse. O Papa afirmou ainda que a Europa está a perder precisamente aquilo que fez dela o berço dos direitos humanos. “Assiste-se a uma perda da esperança”, disse.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)