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Correio da Manhã

Portugal
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Paragem origina revolta

Os pescadores algarvios da arte da ganchorra (apanha de bivalves) afirmam estar numa situação desesperada e ameaçam com protestos. Após um mês e meio de defeso biológico, a maior parte dos barcos teve agora de parar de novo devido ao aparecimento de toxinas nos moluscos em grande parte do Sotavento algarvio.
1 de Julho de 2007 às 00:00
Apanha de bivalves está interdita em boa parte do Sotavento, devido a biotoxinas
Apanha de bivalves está interdita em boa parte do Sotavento, devido a biotoxinas FOTO: Mira
“Se nada for feito, vamos para a luta”, garante António da Branca, presidente da Organização de Produtores de Pesca do Algarve – Olhãopesca. Os armadores irão reunir-se amanhã para decidir o que fazer. Em cima da mesa está mesmo a hipótese de “uma manifestação em Lisboa”.
Os homens do mar dizem que já não aguentam a actual situação e queixam-se da falta de atenção do Governo. Referem que estiveram um mês e meio (entre 1 de Maio e 15 deste mês) parados, devido ao defeso biológico, sem receber qualquer apoio, enquanto os espanhóis têm direito “a cerca de mil euros por mês”. A pesca foi retomada há menos de duas semanas, mas os preços estavam muito baixos. É que a quase totalidade dos bivalves são exportados para Espanha, mercado onde existe muita oferta.
A situação agravou-se agora, após as autoridades terem proibido, anteontem, a apanha de moluscos bivalves em quase todo o Sotavento, devido ao aparecimento de biotoxinas. “Como a interdição não é total, não temos direito a qualquer apoio”, afirma António da Branca, adiantando que os pescadores estão “desesperados”.
PORMENORES
PREÇOS
Os pescadores da ganchorra afirmam que mesmo quando podem trabalhar, quase não ganham para as despesas devido aos baixos preços. O pé-de-burrinho e a conquilha chegam a ser vendidos a 1,5 euros o quilo.
INTERDIÇÃO
Está interdita a apanha de todos os bivalves no litoral entre Vila Real de Santo António e Tavira e entre Faro e Olhão. Existem ainda restrições em parte da Ria Formosa e na Ria de Alvor.
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