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Correio da Manhã

Portugal

Paredão durou pouco

O passeio marítimo de Cascais, concluído há seis meses, não resistiu às primeiras chuvas. O pavimento, cuja reabilitação custou cerca de 500 mil euros, mostra já sinais de cedência, especialmente na zona do Monte Estoril.
20 de Janeiro de 2006 às 00:00
A ‘sala de visitas de Cascais’ apresenta-se esburacada. A construtora ainda não identificou as razões
A ‘sala de visitas de Cascais’ apresenta-se esburacada. A construtora ainda não identificou as razões FOTO: Vítor Mota
Os abatimentos são do conhecimento da Câmara Municipal de Cascais, que alertou o empreiteiro, pois a obra ainda está no prazo de garantia. Mas não se sabe quando estará resolvida a situação.
Os passeantes – muitos num dia soalheiro como o de ontem – desviam-se dos buracos, preferindo não pensar na eventual necessidade de intervenção que não se limite a uma simples reparação do pavimento. “Não me diga que vão rebentar isto outra vez”, teme João Santos, 64 anos, que caminha, ligeiro, com o rádio de pilhas metido no bolso da camisa.
O concessionário da praia da Poça, Fernando Ribeiro, associa os abatimentos à sobrecarga, após as primeiras chuvas, do colector de águas residuais e pluviais que corre debaixo do passeio. “No domingo a água suja levantava esta tampa e corria para o mar”, conta, apontando para a tampa de esgoto localizada junto ao bar de que é proprietário.
“Como o colector é novo, pensámos que não haveria mais problemas, mas, pelo visto, estávamos enganados”, confessa o concessionário, espantado por ter decorrido tão pouco tempo entre a conclusão da obra, a 1 de Junho do ano passado, e os sinais de cedência do pavimento. Também a Associação dos Amigos do Paredão lamenta que ‘a sala de visitas de Cascais’ se apresente já esburacada.
RAZÕES DESCONHECIDAS
Tal como um artigo que avaria logo após a aquisição, o passeio marítimo de Cascais está ‘dentro da garantia’, pelo que a empresa Somague, com a responsabilidade da empreitada, tem de repará-lo sem custos adicionais. Ao que o CM apurou junto da Câmara Municipal de Cascais, que ainda não recepcionou a obra, a empresa não conseguiu até agora identificar a razão das cedências.
Os esforços para resolver o problema à superfície não deram resultado, pelo que se avizinham trabalhos mais complexos. No entanto, não se sabendo exactamente o que causou os abatimentos, também não pode dizer-se com certeza quando é que a situação estará resolvida.
Não se coloca, por enquanto, a questão da segurança dos passeantes, embora os Amigos do Paredão considerem que a cedência na zona do Monte Estoril pode comprometer o apoio do gradeamento. Do que não há dúvida é de que esta é uma obra recente. E cara.
DE PASSEIO
MEIO MILHÃO
As obras de requalificação do paredão de Cascais – concluídas a 1 de Junho de 2005 – custaram 500 mil euros.
FALTAM BANCOS
Os Amigos do Paredão criticam também a falta de bancos e de papeleiras ao longo do passeio marítimo de Cascais, que dizem ter sido “abandonado”.
CASAS DE BANHO
Ao longo do passeio marítimo, entre S. João do Estoril e Cascais, existem quatro casas de banho, mas apenas uma funciona regularmente, mantida por um concessionário.
GARANTIAS
A autarquia garante que serão hoje colocadas papeleiras no passeio marítimo e, acerca das casas de banho, informa que as condições de manutenção das mesmas estão a ser negociadas com os concessionários.
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