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Correio da Manhã

Portugal
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Paróquia em guerra por causa de um centro social

É um caso que promete causar grande agitação na arquidiocese de Braga. Depois de aprovada a candidatura para a construção de um centro social e paroquial na freguesia de S. Pedro d’Este, em Braga, com a respectiva comparticipação financeira de 543 mil euros, o padre atirou os sonhos da direcção ‘por água abaixo’, quando, à última da hora, se recusou a assinar o necessário protocolo no Governo Civil de Braga.
30 de Maio de 2007 às 00:00
Paróquia em guerra por causa de um centro social
Paróquia em guerra por causa de um centro social FOTO: Sérgio Freitas
“Foi a maior vergonha que passámos na nossa vida”, disse ao Correio da Manhã José Marques, um dos membros demissionários, explicando que “não há palavras para descrever o que sentimos quando, perante o senhor ministro da Segurança Social e outros membros do Governo e do programa PARES, o senhor padre, que presidia à direcção e que foi à cerimónia do Governo Civil connosco, se recusou a assinar o protocolo”.
Pior do que a vergonha foi o facto de terem perdido os 543 mil euros de ajuda do Governo, no âmbito do programa PARES, para um centro social orçado em cerca de 850 mil euros.
“Nós andávamos a trabalhar nesta candidatura há dez anos e já tinha sido chumbada duas vezes, por falta de verbas nos programas a que nos candidatámos. Quando, finalmente, conseguimos o apoio, ele faz-nos esta desfeita e, pior do que isso, fez com que, certamente, a freguesia de S. Pedro d’Este nunca venha a ter uma estrutura de apoio social desta natureza”, afirmou José Marques.
O padre Aníbal Ramoa dos Santos, que é pároco da freguesia há mais de 30 anos, disse ao ‘Correio do Minho’ que o projecto não tinha sido aprovado pela arquidiocese e que ele não podia desobedecer a “ordens superiores”.
Além disso, o sacerdote disse que o edifício que pretendiam construir “tirava a vista à igreja paroquial” e que não havia o resto do dinheiro para a obra. Argumento contestado pelos restantes membros da direcção, segundo os quais “a verba estava garantida”.
DEPOIS DE MUITA LUTA... A FRUSTRAÇÃO
À TERCEIRA
A direcção do centro social começou a trabalhar no projecto em 1998, através de uma candidatura ao PIDAC, que foi chumbada. Em 2003 viram também chumbada uma candidatura ao POEFDS. Só à terceira, ao PARES, é que a candidatura foi aprovada. Para nada.
16 LOTES
Os membros demissionários da direcção contestam o argumento da falta de dinheiro apresentado pelo pároco, referindo que há um terreno do Conselho Económico Paroquial, que já foi loteado em 16 parcelas e cujo valor é “muito superior” a 400 mil euros.
FRUSTRAÇÃO
Este é o sentimento de todos os que trabalharam “duramente” ao longo de quase dez anos para conseguir o apoio para a construção do centro social. Dizem que “por causa de uma birra inexplicável” a população perdeu uma importante obra social.
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