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Correio da Manhã

Portugal

PARTIRAM-LHE AS PERNAS

Interpelado pelo polícia, o indivíduo, novo e corpulento, não gostou e virou-se-lhe. Atirou-o ao chão e espancou-o a murro e pontapé, partindo-lhe um tornozelo e uma perna. Depois fugiu mas acabou por ser apanhado ainda na zona de Santos, em Lisboa. "Não tem cadastro", contou ao CM uma fonte policial, lamentando a agressão, pelas 08h30 de ontem, ao colega Ventura, chefe na esquadra do Calvário.
30 de Agosto de 2004 às 00:00
O agente foi chamado ao Jardim de Santos para pôr cobro a desacatos e excesso de barulho
O agente foi chamado ao Jardim de Santos para pôr cobro a desacatos e excesso de barulho FOTO: Jorge Godinho
"Ficou muito maltratado", salientou, acrescentando que o chefe encontrava-se a patrulhar a zona, numa viatura e na companhia de outro agente, quando foi chamado ao Jardim de Santos.
A queixa falava de excesso de barulho e desacatos, por parte de um grupo de indivíduos: sete a oito.
Chegado ao local, Ventura interpela um dos rapazes.
"Um jovem negro e corpulento que começou logo a agredi-lo. A murro e pontapé", adianta uma fonte policial, alegando que o colega, com cerca de 40 anos, foi apanhado desprevenido. E terá ficado tão atónito com a brutalidade que nem conseguiu reagir.
Já o colega, na viatura, alertou a esquadra, e esta enviou reforços; Outro carro patrulha que perseguiu e deteve o indivíduo, momentos depois da agressão.
Transportado ao Hospital de S. Francisco Xavier, Ventura foi assistido e teve alta ainda durante a manhã.
"Tem várias fracturas nos membros inferiores e irá ficar de baixa durante uns tempos", disse a mesma fonte policial, referindo que o agressor será presente, hoje, a tribunal.
"A VIDA DE POLÍCIA É ASSIM"
"A vida de polícia é assim", dizia ontem ao CM um colega do chefe Ventura. "Somos cada vez mais agredidos", lembrava, referindo que, no entanto, a violência usada contra o colega passou todos os limites.
"Ameaçam-nos, empurram-nos e por vezes batem-nos. Agora provocarem-nos fracturas como as do Ventura..."
Segundo o último 'Relatório de Segurança Interna', em 2003, "as forças de segurança registaram dois mortos, 16 feridos graves, 413 feridos ligeiros e 625 elementos agredidos sem necessidade de tratamento médico". Ou seja, mais de mil agentes da autoridade (PSP, GNR, Polícia Judiciária e SEF - Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) foram agredidos, facto que constitui "motivo de crescente preocupação e exige uma atenção especial", frisa o documento.
ÚLTIMOS CASOS
DOCAS DE LISBOA
Um agente da PSP viu a morte de perto, no passado dia 13, nas Docas de Lisboa, perto de uma barraca de venda de cachorros, quando um indivíduo lhe apontou um revólver à cabeça e disparou. A sorte ditou que o tambor da arma não tivesse, nesse momento, bala. O indivíduo, que estaria alcoolizado, foi detido.
QUINTA DO MOCHO
Um agente da PSP de Loures foi agredido, no dia 7 de Junho, na Quinta do Mocho, na sequência de uma acção de despejo. Desarmado por alguns indivíduos, o polícia foi atirado ao chão e agredido. Teve de receber assistência no Hospital Curry Cabral. Para deter os agressores, a Polícia foi obrigada a disparar-lhes às pernas dos agressores.
VIANA DO CASTELO
Um militar da GNR de Viana do Castelo foi agredido à cabeçada, no dia 1 de Julho, quando tentava acalmar um pescador de 35 anos, que provocava desacatos num restaurante de Castelo do Neiva. Chamada ao local, a patrulha da GNR foi recebida à paulada pelo indivíduo, que desferiu uma violenta cabeçada num dos guardas, que teve de receber assistência hospitalar.
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