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Correio da Manhã

Portugal
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PASSAGEM MORTAL EM CAMINHA

Um homem de 41 anos de idade morreu anteontem à noite, vítima de mais um acidente numa passagem-de-nível.
30 de Julho de 2003 às 00:00
O acidente ocorreu por volta das 21h10, no lugar de S. Bento, freguesia de Seixas, concelho de Caminha, quando o carro em que Ricardo Manuel Monteiro Carvalho seguia foi colhido por uma automotora que fazia a ligação entre o Porto e Vigo, na Galiza.
A vítima era natural de Britelo, concelho de Celorico de Basto e, ao que apuramos, encontrava-se a passar férias com o pai em Moledo do Minho.
Segundo algumas testemunhas, Ricardo Carvalho não terá respeitado os sinais sonoro e luminoso da passagem-de-nível, sendo violentamente colhido pela composição.
Imediatamente socorrido pelos Bombeiros Voluntários de Caminha, ainda foi transportado para o centro de saúde local, mas já lá chegou cadáver.
A circulação na Linha do Minho esteve interrompida ao longo de mais de uma hora, o tempo de retirar a viatura da via férrea, já que a automotora pouco ou nada sofreu com o embate, seguindo viagem para Vigo.
Este foi, em apenas um mês, o terceiro acidente em passagens-de-nível na linha do Minho, de que resultaram, em conjunto, três mortos e três feridos graves.
Tal como em Quintiães, no concelho de Barcelos, onde tiveram lugar os outros dois acidentes (o último dos quais no passado sábado), também em Seixas, Caminha, a Junta e a Assembleia de Freguesia reclamam a construção de um viaduto, como solução definitiva e, até lá, a colocação de barreiras automáticas.
“Desde há dois anos, quando aqui morreu um jovem da terra, que reclamamos junto da Refer a colocação de barreiras automáticas. A promessa foi rápida, mas a verdade é que as barreiras não foram colocadas”, disse ao Correio da Manhã Aurélio Pereira, o presidente da Junta de Seixas.
Segundo o autarca, a Refer impôs algumas condições, como a realização de obras de alargamento da via, que foram atempadamente realizadas, mas as barreiras continuam por colocar.
De resto, a solução definitiva do problema passa pela construção de um viaduto, ligeiramente a sul desta passagem-de-nível, cujo projecto, segundo o autarca, está há mais de um ano em análise nos serviços da Refer.
DOZE MORTOS EM SETE MESES
O acidente de Seixas fez subir para doze o número de mortos registados este ano em passagens-de-nível e, desses doze, oito ocorreram nos meses de Junho e Julho. Segundo os dados da Rede Ferroviária Nacional – Refer, no ano passado registaram-se 113 acidentes em passagens-de-nível, de que resultou a morte de 33 pessoas. Os primeiros sete meses deste ano apresentam-se menos dramáticos do que igual período de 2002, tanto em número de mortos como em número de acidentes.
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