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Correio da Manhã

Portugal
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Passaporte para a fuga

O brasileiro André Richeli, que em Outubro cortou uma pulseira electrónica e fugiu para o seu país, havia sido detido pelas autoridades portuguesas na maior apreensão de cartões de débito falsificados no nosso País.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Após uma passagem de seis meses pela prisão de Caxias Norte, Richeli foi colocado numa residência do Seixal sob vigilância electrónica, onde ficaria a aguardar julgamento. Graças aos préstimos da sua advogada, o ‘burlão’ conseguiu ficar na posse do seu passaporte, documento que pode ter sido derradeiro para a fuga... sem necessidade de mais falsificações.
Quando foi detido, em Janeiro de 2004, Richeli tinha cerca de 500 cartões de débito – vulgo, ‘cartão multibanco’ – falsificados e prontos a levantar dinheiro nas caixas ATM (como o CM noticiou oportunamente). Foi a maior apreensão do género em Portugal. “Veio para ‘roubar’ cidadãos brasileiros e instituições bancárias, que eram quem tinha de ressarcir os seus clientes”, diz em comunicado ao CM a ex-advogada de defesa do arguido, Paula Gouveia Andrade.
O ‘burlão’ ia levantando importâncias até 200 euros em terminais de Lisboa e arredores. No Brasil, estavam os lesados: cidadãos a quem os cartões tinham sido duplicados através de material informático – também apreendido – e os bancos responsáveis por cobrir os prejuízos de cerca de dez mil euros.
Em Portugal, Richeli revelou-se um arguido sortudo. Além de aguardar julgamento em casa, conseguiu ficar na posse do seu passaporte. Mais. Não estava impedido de aceder a um telefone privado, nem ao computador, que Paula Gouveia Andrade lhe emprestou. “Fui ingénua”, admite. Comunicavam via internet.
“Ao arguido bastava cortar a pulseira, sair e apanhar o primeiro avião com o seu próprio nome”, considera a advogada. E Richeli assim o fez: Fugiu para o Brasil, país que não vistoria a entrada de cidadãos nacionais, tal como apurou o CM junto da Directoria-Geral da Polícia Federal, em Brasília.
Enganados terão sido também os técnicos do Instituto de Reinserção Social (IRS), cujo relatório possibilitou a alteração da medida de coacção do arguido. O tribunal viria a considerar a sua conduta como “exemplar”. O IRS entendeu que estavam reunidas as condições psicológicas e de residência para que André saísse com a pulseira electrónica.
A única coisa que correu mal para Richeli foi o ‘floog’ que o próprio criou para colocar as suas fotografias na internet. Persiste a dúvida se André colocou a primeira foto já no Brasil, no dia 21 de Outubro de 2004, quatro dias depois ter sido dado o alarme da sua fuga.
MAIS PULSEIRAS
O ministro da Justiça anunciou ontem que o sistema de vigilância electrónica pode chegar este ano a mil presos preventivos, alargando-se a 1500 em 2006. O sistema esteve em fase experimental e vai ser alargado a todo o País a partir de 1 de Março. O ministro garante que o sistema é seguro.
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