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Correio da Manhã

Portugal
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Pastor acusado de traficar urânio culpa testemunha

O pastor Leonel Ferreira, acusado de traficar urânio com dinheiro doado à instituição Santamarianos, quebrou esta quarta-feira o silêncio no tribunal de Gaia para acusar a testemunha que horas antes o defendera de enveredar por "mitomanias" para lhe sacar dinheiro.
9 de Fevereiro de 2011 às 19:08
Pastor da Igreja Kharisma (na foto) disse que Raimond Lob foi-lhe apresentado como uma pessoa que teria bons contactos no mundo dos negócios
Pastor da Igreja Kharisma (na foto) disse que Raimond Lob foi-lhe apresentado como uma pessoa que teria bons contactos no mundo dos negócios FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Em causa está o camaronês Raimond Lob, que a justiça francesa condenou a três anos de prisão por tráfico de urânio, num processo em que o próprio pastor Leonel Ferreira, da Igreja Kharisma, chegou a ser arguido.  

"Peremptoriamente, não fiz, nunca faria, nem nunca farei tráfico de urânio", garantiu o pastor, num testemunho que se prolongou por toda a tarde, e no qual assegurou que a sua aproximação ao camaronês se destinava apenas a conseguir "operações financeiras" que lhe permitissem rendibilizar capital rapidamente.  

Esse capital, assegurou, teria sido obtido na compra e revenda de uma fábrica e não, ao contrário do que consta da acusação, com a utilização de fundos instituição Santamarianos.  

No seu depoimento, o pastor da Igreja Kharisma disse que Raimond Lob foi-lhe apresentado como uma pessoa que teria bons contactos no mundo dos negócios e que também teria capitais significativos para investir.  

 A pretexto de tentar conseguir negócios mutuamente vantajosos, Raimond Lob terá entrado numa espiral chantagista, facilitada pela auto-declarada  "ignorância" do pastor sobre estas matérias.   

Horas antes, o camaronês depôs em favor do pastor, admitindo que ambos mantiveram negócios, mas nunca de urânio.  

 "No urânio eu estava só", disse, sem responder directamente a várias perguntas da juíza-presidente, intermediadas por um intérprete francês. 

A magistrada chegou mesmo a avisá-lo que poderia incorrer em crime de desobediência.  

Também a perguntas da juíza, Raimond Lob admitiu que o arguido pagou esta sua deslocação ao tribunal de Gaia - em que se fez acompanhar por  um advogado -, mas garantiu que só quis testemunhar "por dever de consciência". 

No processo, em julgamento desde Novembro e que deverá entrar em alegações finais na tarde do dia 24, Leonel Ferreira é acusado de um crime de detenção de substâncias explosiva ou análogas e armas.  

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