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Correio da Manhã

Portugal
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Pastor-alemão ataca para matar

Uma mulher de 62 anos foi atacada durante mais de meia hora por um cão de raça pastor-alemão, que pesava 60 quilos, perto da sua casa, no concelho de Pombal, sofrendo ferimentos graves.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
O animal, abatido após o ataque, na terça-feira, pelas 12 horas, estava preso com uma corrente a um ferro, junto à casa onde reside Maria da Conceição Silva e o marido, Joaquim Jesus Fernandes, em Casal da Rola, Louriçal. Por uma razão desconhecida, soltou-se e atacou a mulher, atirando-a ao chão com violência e mordendo-a de forma continuada durante mais de meia hora.
Quando a ambulância de socorro chegou, o ataque ainda durava e só com a ajuda de um popular, que se muniu de uma vara comprida e afugentou o animal, é que os bombeiros puderam socorrer a mulher.
Maria da Conceição Silva sofreu ferimentos graves nos braços, face, crânio e no pescoço e está a recuperar no Hospital Distrital da Figueira da Foz, tendo sido sujeita a uma intervenção cirúrgica que se prolongou por várias horas. Uma das feridas mais graves é na cabeça, onde sofreu um escalpamento.
Durante o ataque, a vítima “nunca perdeu a consciência”, disse ao CM Nelson Carvalho, técnico de emergência da secção do Louriçal dos Bombeiros Voluntários de Pombal, adiantando que o socorro foi “bastante complicado”, pois o pastor-alemão “nunca se afastou mais de 20 metros”.
“O cão revelava uma agressividade que nunca vi na vida e já socorri outras vítimas de agressão”, explicou Nelson Carvalho. O animal tinha oito anos e pertencia a um dos quatro filhos da vítima.
“O cão tinha uma força bruta”, disse Joaquim Jesus Fernandes, marido da agredida, adiantando: “Por azar, eu não estava cá e quando cheguei já a mulher tinha abalado para o hospital”.
“Os meus filhos já a viram e os médicos disseram-lhes que está mal, mas pode não ser tão grave como parecia”, concluiu o marido de Maria da Conceição Silva, que ontem de manhã ainda não a tinha ido visitar ao hospital.
RAÇA CONSIDERADA INOFENSIVA
O animal que protagonizou o ataque a uma mulher em Casal da Rola, Louriçal, Pombal, podia ser “o cruzamento de pastor-alemão com uma outra raça de cão violento”, segundo o subcomissário Brissos dos Santos, 2.º comandante do Grupo Operacional Cinotécnico (COC) da PSP. Este especialista baseia a sua análise em dois pressupostos: “Primeiro, o pastor-alemão não é um cão perigoso; depois, um pastor-alemão com 60 quilos de peso é gordo e incapaz de se movimentar como aquele fez”.
Com a experiência que possui, o subcomissário Brissos dos Santos reforça o facto de haver “muita gente a fazer cruzamentos entre uma raça inofensiva e dois terços de uma outra raça perigosa, do qual resulta um animal perigoso, o que pode ser o caso”. Um pastor-alemão na plenitude das suas faculdades deverá ter um peso de 36/37 quilos. Caso o animal não fosse abatido era obrigatório o seu registo com o consequente historial.
CÃES PERIGOSOS OBRIGADOS A SEGURO
Desde Julho de 2004 que a lei aprovada pelo Governo sobre cães perigosos define as raças ou cruzamentos potencialmente perigosos, a saber: cão de fila brasileiro, pitbull terrier, dogue argentino, rottweiler, staffordshire terrier americano, staffordshire bull terrier e tosa inu japonês.
Estes tipos potencialmente perigosos, os cães para fins comerciais e os que são usados na caça têm desde aquela data de ser identificados por um ‘microchip’ introduzido na pele do animal por um veterinário.
Os donos dos animais perigosos tem de possuir seguro de responsabilidade civil obrigatório, com um montante mínimo de 50 mil euros e uma licença de posse a obter na junta de freguesia, mediante a entrega de registo criminal e um termo de responsabilidade onde será declarado o tipo de condições de alojamento do animal. A fiscalização do cumprimento destas regras compete às autarquias, Polícia Municipal, GNR e PSP.
A falta desta licença de posse de cães perigosos constitui uma contra-ordenção, punível com coima de 25 a 3740 euros, no caso de pessoas singulares, ou até 44 890, para pessoas colectivas.
Estes montantes são também aplicados para a falta de açaime ou trela e para a circulação dos cães na via pública sem coleira ou peitoral, onde deve ser colocada a morada e o telefone do dono do animal.
Estas regras serão ainda mais detalhadas, a partir de Julho de 2008, com a identificação dos animais a ser obrigatória entre os três e os seis meses de idade.
OUTROS CASOS
MENINO MORDIDO
Um rapaz de seis anos foi atacado pelo pitbull da tia, em 18 de Novembro último, quando brincava nas traseiras da sua casa, em Paivas, Seixal. Ruben levou 12 pontos numa perna.
ATAQUE DE VADIO
Ferimentos na cabeça, pescoço e costas foram as mazelas com que um rapaz de seis anos ficou ao ser atacado por um cão vadio, em Novembro de 2004, quando brincava à porta de casa, em Mortágua.
SEM AÇAIME
Goreti Silva foi mordida por um cão da raça rottweiler, em S. Bernardo, Aveiro, sendo obrigada a levar 21 pontos desde a nuca até à orelha direita. O ataque ocorreu na rua, em 18 de Outubro de 2004, e o animal não tinha açaime.
MENINA ATACADA
Uma menina de quatro anos foi atacada por uma cadela pitbull terrier e um pasto-alemão, provocando-lhe ferimentos na nuca, numa orelha, num ombro e num braço, em Mesura, Coimbra, a 7 de Julho do ano passado.
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