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Correio da Manhã

Portugal
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Patas de cavalos ‘tramam’ militar

António Marques, soldado da GNR com 40 anos, quer ser promovido a cabo. Mas não consegue porque, em 1994, o guarda colocado no posto de Portalegre terá desobedecido a ordens de um superior – ao esquecer-se de untar os cascos de quatro cavalos. E porque, cinco anos depois, o mesmo militar usou indevidamente, com um colega, a máquina de lavar do comandante de posto.
2 de Novembro de 2009 às 00:30
António Marques não untou cascos de cavalos, diz GNR
António Marques não untou cascos de cavalos, diz GNR FOTO: Pedro Catarino

A GNR, num despacho assinado pelo próprio comandante-geral, tenente-general Nélson Santos, a que o CM teve acesso, entende que estas duas faltas são motivo para, ao fim de 15 anos, impedir António Marques de subir a cabo.

Foi numa comissão de serviço em Vila Nova de Milfontes que António Marques se terá esquecido de aplicar nos cascos de quatro cavalos uma massa destinada a não sobrecarregar os animais. No mesmo dia, esqueceu--se de fazer a barba. Pelas 2 faltas, e à luz do Regulamento Disciplinar Militar então em vigor na GNR, o soldado António Marques foi punido com dez dias de detenção.

Em 1999, quando estava colocado no Posto de Moura, foi acusado de ter usado a máquina de lavar roupa do comandante de posto, para dela retirar roupa de um colega: mais três dias de detenção.

As ‘manchas’ na folha disciplinar foram motivo para que o Conselho Superior da GNR, realizado há duas semanas, votasse, por 38 votos contra 4, a não promoção de António Marques que fica estagnado na carreira por mais 2 anos, podendo então a GNR optar pela estagnação definitiva. José Alho, presidente da Associação Sócio--Profissional Independente da GNR, disse ao CM que "este é mais um exemplo de algo que acontece só aos operacionais". "Isto só leva à desmotivação e aumento da taxa de suicídios."

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