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Paulo Pedroso, o ex-deputado socialista que foi acusado de 23 crimes sexuais no processo da Casa Pia e que não foi pronunciado, é hoje ouvido como testemunha no julgamento de pedofilia.
“Foi convocado e vai como sempre disse que ia. Sempre se dispôs a colaborar”, garantiu ontem ao CM o advogado do político, Celso Cruzeiro, explicando ainda que Pedroso não se fará acompanhar de defensor, apesar de a lei o permitir. “Quem não deve, não teme”, acrescentou o causídico de Aveiro.
Paulo Pedroso, que foi detido na Assembleia da República a 21 de Maio de 2003 e esteve quatro meses e meio em prisão preventiva, foi arrolado como testemunha pelas defesas de Carlos Silvino e Carlos Cruz, assim como o seu irmão João Pedroso. Já os advogados da Casa Pia prescindiram do seu depoimento.
Apesar de não ter sido levado a ser julgado, por decisão da juíza de instrução Ana Teixeira e Silva, em Maio de 2004 – confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa –, o nome de Pedroso voltou a ser referenciado pelas vítimas em fase de julgamento. Recentemente, foi também visado numa carta enviada ao Presidente da República sobre os alegados abusos ocorridos na Casa de Elvas, entretanto anexada ao processo pelo Ministério Público. Também as escutas telefónicas realizadas ao ex-arguido foram admitidas como prova documental pela juíza Ana Peres, a pedido de José Maria Martins, por alegadamente demonstrarem “um enorme tráfico de influências ao mais alto nível” para perturbar a prova do processo de pedofilia.
Em relação a todas as pessoas que apontaram o nome de Paulo Pedroso no caso de pedofilia, o ex-deputado e também ex-ministro socialista avançou com processos por difamação e também com uma queixa contra o Estado, exigindo cerca de 600 mil euros por prisão ilegal.
PGR REUNIDO COM MINISTRO
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, esteve ontem reunido com o ministro do Trabalho, que tutela a Casa Pia.
O encontro foi solicitado por Vieira da Silva, na semana passada, “para discutir as várias zonas de intervenção comuns relacionadas com todas as problemáticas das crianças e dos jovens em risco”, explicou fonte do ministério.
Pinto Monteiro já anunciou que vai ser levado a cabo um levantamento dos casos de risco de crianças e jovens institucionalizados.
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