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Correio da Manhã

Portugal
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PEDRO NAMORA: PEÇO QUE NOS OUÇAM POR FAVOR

O advogado Pedro Namora está revoltado com os deputados da Comissão de direitos, liberdades e garantia da Assembleia da República e resolveu fazer um apelo, através do CM: “Ouçam-nos, por favor. A mim e ao Adelino Granja”.
19 de Dezembro de 2002 às 02:03
O ex-casapiano - uma das vítimas de abuso sexual por parte de Carlos Silvino, “Bibi” - garante, ainda, que, na passada segunda-feira, Adelino Granja contactou a comissão parlamentar, “exigindo” que fossem inquiridos.

“Deixou os nossos nomes e números de telefone. Já lá vai tanto tempo e não nos disseram nada. É um desinteresse que não compreendemos. Podiam, pelo menos, informar-nos que não nos podem ouvir, por isto ou por aquilo”, acrescentou, observando: “Já sei que a presidente da comissão, Assunção Esteves, terá comentado com outros elementos o nosso pedido. Só que, como referi, até à data nada nos disseram”.

Sem se deter, Pedro Namora, assegura que ambos têm “elementos novos” sobre o caso de pedofilia que envolve crianças da Casa Pia. “Alguns desses elementos contrariam mesmo o que Teresa Costa Macedo já disse à comissão. Refiro-me, por exemplo, à caminhada em que eu participei da Casa Pia ao Palácio de Belém com o general Ramalho Eanes. Ela não sabe o que dissemos ao, na altura, Presidente da República. Falámos ao general das péssimas condições que dispunhamos e da readmissão de ‘Bibi’, frisando que ele constituia uma ameça para todos os alunos.”

Namora salienta, ainda, que está na disposição de contar no Parlamento alguns factos que envolveram a ex-secretária de Estado da Família. “Teresa Costa Macedo não esteve só uma vez na Casa Pia. Além do dia 5 de Julho de 1980, também lá esteve no dia 3, sozinha. E até já apurámos que foi ela quem mandou para lá a Polícia durante várias noites, para evitar que nós sujássemos as paredes com pinturas para manifestarmos a nossa revolta. E posso afirmar que estamos em condições de provar o que estou a dizer.”

Sobre os trabalhos da comissão, Pedro Namora lamenta que, além de Teresa Costa Macedo, mais nenhum governante se lembre do que se passava na Casa Pia, nos anos 80. “A tese do não sei de nada é a consagração da irresponsabilidade no desempenho dos cargos públicos. Em nossa opinião o que se adequa melhor aos que pretendem não ver esclarecida a situação”, concluiu.
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