Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Penas leves para gang

Só metade dos 22 arguidos acusados de pertencerem ao ‘gang do Minho’ foram ontem condenados, no Tribunal de Barcelos, pela série de assaltos violentos que, há dois anos, aterrorizaram o Norte do País.
15 de Junho de 2006 às 00:00
 ‘Gang do Minho’, durante o julgamento, no Tribunal de Barcelos
‘Gang do Minho’, durante o julgamento, no Tribunal de Barcelos FOTO: Sérgio Freitas
O colectivo de juízes do Tribunal de Barcelos decidiu aplicar a seis arguidos penas de prisão efectiva entre dois e 12 anos e meio, optando por suspender as penas de prisão a dois assaltantes e três receptadores do material roubado. Os restantes onze suspeitos foram absolvidos.
Na leitura de parte do acórdão – cuja versão integral tem mais de 260 páginas –, o presidente do Colectivo reconheceu a suavidade das penas, face à gravidade e ao impacto social dos crimes, por força da violência usada nos assaltos, com a destruição de estabelecimentos comerciais, o disparo de tiros contra civis e militares da GNR e agressões a vítimas de furto.
“Causaram um pânico geral na sociedade, como há muito não se via”, observou o juiz, reforçando ainda que “só por muita sorte não houve mortes”.
No entanto, o juiz presidente salientou que os culpados morais da onda de assaltos são os receptadores, cuja maior penalização judicial acabou por ser de âmbito económico, já que as penas de prisão foram suspensas.
O Tribunal deu também provimento aos pedidos de indemnização cível apresentados pelas vítimas, considerando que os valores reclamados “pecam por defeito”.
No julgamento do gang – que era acusado de 68 crimes, praticados em 17 concelhos –, o Ministério Público encontrou sempre grandes dificuldades na identificação personalizada dos autores dos crimes, até porque as vítimas reconheceram incapacidade na definição clara dos atacantes.
As condenações ficaram a dever-se aos crimes de furto qualificado, roubo, violência após subtracção, furto e uso de veículo, receptação, auxílio material na prática de crimes, uso e detenção de arma proibida. No entanto, ficaram por provar as acusações de associação criminosa e tentativas de homicídio – neste caso, porque o Tribunal não conseguiu apurar os autores dos disparos, nomeadamente sobre um militar da GNR.
12 ANOS DE CADEIA PARA O LÍDER
A pena mais pesada – 12 anos e meio de prisão efectiva – foi para Miguel Soares, de 32 anos, tido como o líder do grupo e proprietário da ex-casa de alterne Paca Bar em Enguardas, Braga.
Entre os condenados a penas de prisão efectiva encontram-se ainda Márcio Gomes (11 anos) e Joaquim Costa (10 anos e meio), João Manuel Gomes (5 anos e meio), Filipe André (5 anos) e David Ferreira (2 anos e meio). Já Gilberto Pereira e Carlos Machado foram condenados a três anos de prisão, suspensos por quatro anos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)