Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Perceber os números

As competências em Matemática vão-se perdendo ao longo do percurso escolar. Esta é a principal conclusão do I Diagnóstico Nacional de Matemática, realizado em Setembro nos centros Mathnasium e que envolveu 538 alunos, do 1.º ao 9.º ano de escolaridade.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
De acordo com o diagnóstico, os estudantes que terminaram o 5.º ano manifestam grandes dificuldades no domínio dos números decimais. Os alunos que terminaram o 6.º ano têm dificuldade no domínio dos números fraccionários e revelam ainda dificuldades no domínio do cálculo percentual. Já os estudantes do 3.º ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) revelam pouco “sentido do número”, que os impede de ter um raciocínio matemático crítico.
Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, considera que o diagnóstico confirma os problemas que os alunos vivem na disciplina. “A Matemática necessita de atenção constante, pois é uma disciplina que progride cumulativamente. Qualquer falha arrasta-se para os níveis seguintes”. Por isso, realça, são necessários exames nacionais no 4.º e/ou no 6.º ano de escolaridade. “Os exames não resolvem os problemas, mas ajudam a perceber onde é que estão. É essencial colmatar as falhas.”
Os currículos também deviam ser mexidos, continua Nuno Crato. “O sistema tem de ter objectivos mais claramente traçados, o ensino tem de ser estruturado.” A começar na pré-primária. “Deve começar a fazer-se actividades matemáticas com as crianças antes do 1.º ciclo. É uma disciplina que tem de ser compreendida e decorada.”
Não foi graças ao ‘marranço’ que Afonso Bandeira conseguiu conquistar várias medalhas em Olimpíadas de Matemática. “O gosto e a vontade de tentar perceber a Matemática” levaram o caloiro do curso de Matemática da Universidade de Coimbra a conquistar várias medalhas nas Olimpíadas da Matemática, a nível nacional e internacional.
Afonso, que fez o percurso escolar em São Pedro do Sul, recorda que a paixão pelos números e equações ganhou outros contornos quando se iniciou nas olimpíadas, no 10.º ano: “Conhecia pessoas de todo o País, interessadas nos problemas. Os exercícios apelavam mais ao raciocínio, eram quebra-cabeças.” Afonso considera que na escola os professores devem “puxar” mais pelos alunos. “Para nós é mais fácil decorar, temos é de perceber, mas para isso os professores também têm de explicar.”
PROBLEMAS
NOTA NEGATIVA
O diagnóstico realizado pelos centros Mathnasium conclui que a percentagem de alunos que deu respostas erradas vai aumentando com o avançar dos ciclos de Ensino Básico: 40 por cento no 1.º ciclo, 50 por cento no 2.º ciclo e 60 por cento no 3.º ciclo.
PRIMÁRIA RAZOÁVEL
De acordo com o estudo realizado, os alunos dos 2.º, 3.º e 4.º anos de escolaridade são os que mais acertaram nos exercícios propostos – entre 60 e 63 por cento.
FALHA NAS FRACÇÕES
Os estudantes que terminaram o 6.º ano manifestam grandes dificuldades no domínio dos números fraccionários e a sua aplicação em problemas.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)