Milhares de pessoas participaram ontem nos funerais dos quatro bombeiros sapadores de Coimbra que morreram a combater um incêndio florestal em Vale de Parede, Mortágua. Almalaguês e Semide foram terras pequenas para receber familiares, amigos, bombeiros e populares, que quiseram marcar presença na última homenagem a José Ferreira Lapa, Adelino Oliveira, Acácio Silva e Luís Miguel Teixeira.
‘Soldados da paz’ de Norte a Sul de Portugal deixaram a sua marca num dos dias mais tristes da história dos bombeiros. Os estandartes, erguidos em memória dos companheiros falecidos, com um pano preto pendurado, identificavam os locais de onde vinham. Por isso, foi fácil encontrar homens de Faro, da Chamusca e de Tábua. Comum a todos eles, o olhar triste e as lágrimas a escorrerem nos rostos.
Todos quiseram mostrar a solidariedade que é palavra de ordem entre a classe e transmitir que os bombeiros fazem da união uma força, que, muitas vezes, os leva a superar-se a si próprios. Populares, amigos e familiares das vítimas partilhavam a dor do momento. As lágrimas ajudavam a deitar fora algum do sentimento de impotência que sentiam.
Maria Prazeres, 72 anos, disse já ter visto “muita coisa”, mas “algo assim é sempre difícil de suportar”. O papel dos bombeiros na sociedade foi lembrado por muitas pessoas. José Pereira, 55 anos, não se esqueceu da forma como a vida terminou para os quatro sapadores de Coimbra: “Morreram a trabalhar e a fazer o bem, aquilo que sempre fizeram”.
Um erro humano é aceite para explicar a morte. Contudo, a revolta de quem conhece a vida de bombeiro, por ter um filho na profissão, resume-se na rapidez com que alguém tirou essa conclusão. “Acha que iam para lá para morrer”, afirma, amargurado, Pedro Fontes, de 62 anos.
Durante a missa de corpo presente, o padre de Almalaguês, Joel Antunes, sublinhou a presença de uma multidão (o curto caminho, sublinhado com aplausos, entre a igreja e o cemitério demorou “uma eternidade”) no funeral de três homens de uma terra em que quase metade são bombeiros, imitando um cenário em que “já não se via desde os tempos da Guerra Colonial em Moçambique”.
A leitura do livro do profeta Isaías emocionou o povo. “O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces”. Uma frase que marcou um dia triste, com muitas lágrimas, que ficará registado para sempre na história dos Bombeiros Sapadores de Coimbra como aquele em que perderam quatro camaradas no meio de um fogo traiçoeiro.
SEGUROS E PSICÓLOGOS AJUDAM FAMÍLIAS A ENFRENTAR O FUTURO
As famílias dos bombeiros falecidos no incêndio de Mortágua estão abrangidas por apoio psicológico e ajudas financeiras. Enquanto Sapadores, as vítimas mantinham um seguro de acidentes pessoais que prevê uma indemnização de 75 mil euros em caso de morte. Como funcionários do Município de Coimbra, há cobertura de um seguro de acidentes de trabalho que atribui às famílias um subsídio por morte, pago de uma vez, equivalente a 12 salários mínimos nacionais ou seis vezes a remuneração base da vítima. Neste âmbito, as famílias vão receber, também, uma pensão mensal cujo valor é definido pelo Tribunal do Trabalho.
Entretanto, a Câmara Municipal de Coimbra pretende aprovar uma bolsa de estudos para os descendentes dos bombeiros falecidos. Desde o dia do acidente, os familiares estão a ser acompanhados por três psicólogas dos quadros do Município de Coimbra e do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
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