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Correio da Manhã

Portugal
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“Perdi a cabeça e dei-lhe facadas”

Foi bastante calmo e sem hesitar que José Baptista, de 43 anos, confessou ontem no Tribunal de Gaia ter usado duas facas para assassinar a mulher, Anabela Batalha, uma professora de 44 anos, a 15 de Julho do ano passado.
4 de Março de 2011 às 00:30
O homicida José Baptista, ontem, a chegar ao tribunal de Gaia
O homicida José Baptista, ontem, a chegar ao tribunal de Gaia FOTO: Joana Neves Correia

O homicida, que está ainda acusado de maltratar os filhos de 8, 10 e 18 anos, admitiu também que abandonou a mulher a esvair-se em sangue. Ontem, foram ainda feitas as alegações finais, tendo o Ministério Público pedido uma pena pesada.

"Estávamos a discutir, eu perdi a cabeça e dei-lhe as facadas. A faca partiu, eu peguei noutra que estava no chão e não sei quantos golpes lhe dei", contou o homicida, que matou Anabela na lavandaria da casa.

José revelou ainda que após cometer o crime tomou banho e mudou de roupa. "Abandonei-a, pois achei que estava morta, para mim ela já não saía dali. Estou muito arrependido. Ela fez com que eu estivesse sem ver os meus filhos quatro dias, montou a sua própria armadilha", disse.

Ao sair da residência, o homem ainda se cruzou com o filho mais velho e com uma amiga da esposa. "Ele disse que podíamos ficar com a casa e fugiu. Corri para a lavandaria e as duas portas estavam fechadas; uma estava aparafusada. Ainda ouvi a voz da minha mãe, mas quando entrei ela já estava morta", relatou emocionado João Paulo, filho da vítima.

O jovem contou ainda que o pai era muito violento e que os maus--tratos eram frequentes. "Deu-me socos várias vezes durante as discussões. Tinha medo, mas não pensei que chegasse a este ponto", rematou João.

ASSISTENTE QUER PENA MÁXIMA

O advogado assistente no processo e que representa a família de Anabela Batalha pediu ontem no Tribunal de Gaia que José fosse condenado à pena máxima de cadeia. "Foi um crime repugnante. Premeditou o homicídio dias antes e fez um ataque selvático, apanhando a vítima completamente vulnerável e desprotegida", disse o causídico. A advogada de defesa disse apenas que há que ter em conta a confissão do arguido.

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