Xavier Viegas diz que falta entidade para coordenar assistência às vítimas em caso de tragédia.
1 / 4
O especialistas em incêndios florestais Domingos Xavier Viegas disse esta quarta-feira que a prestação do socorro médico falhou no fogo de Pedrógão Grande por falta de uma entidade para coordenar a busca e salvamento.
Xavier Viegas, que lidera a equipa do Centro de Estudos Sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra que realizou o relatório "O Complexo de Incêndios de Pedrógão Grande e Concelhos Limítrofes", foi ouvido, à porta fechada, na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa audição pedida pelo CDS-PP.
"Faltou no incêndio de Pedrógão Grande um trabalho de busca e salvamento, de encontro das pessoas que necessitavam de socorro e ajuda, prestação de socorro médico", disse aos jornalistas o perito, no final da audição.
Xavier Viegas adiantou que "a prestação de socorro médico falhou em boa parte porque faltou essa tarefa de busca e salvamento", tendo esta tarefa existido em Pedrógão Grande "por iniciativas de populares ou até de alguns agentes de proteção civil", "mas não de uma forma coordenada".
Nesse sentido, o coordenador do relatório sobre Pedrógão Grande recomenda que, num incêndio com esta dimensão, seja criado no posto de comando uma parte dedicada à tarefa de coordenação da busca e salvamento e prestação de socorro.
"Coisa que não aconteceu neste incêndio e daí que tenha havido muito sofrimento e eventualmente algumas mortes", observou.
O deputado do CDS-PP Telmo Correia destacou aos jornalistas que "houve uma falha generalizada sobre as operações de busca e socorro".
"Houve pessoas que morreram, a poucos metros de outras que foram salvas, com o telemóvel na mão a enviar mensagens para o 112, à espera de serem salvas. Enquanto o combate estava com quem tinha a missão de combater o incêndio, a operação médica estava a cargo do INEM, ninguém tinha a responsabilidade de ir buscar pessoas que estavam caídas no terreno", disse Telmo Correia.
O deputado do CDS-PP sublinhou ainda que esta audição confirmou que "falhou a previsão em meteorologia, o ataque inicial e a coordenação por inexperiência e os meios no combate ao incêndio de Pedrógão Grande".
Também o deputado do PSD Duarte Marques afirmou aos jornalistas que "o sistema de salvamento das pessoas não funcionou", faltando em terra uma entidade que faça esta tarefa do salvamento, tal como existe no mar.
"Ficou claro que nestas épocas de grande tragédia é preciso que os bombeiros se concentrem no fogo, que os médicos tratem das pessoas, mas falta aqui uma parte que tem que ir buscar as pessoas aos locais da tragédia", disse, sublinhando que falta criar "algum comando" ou "alguma especificidade" para a missão do salvamento.
Duarte Marques disse ainda que "nem tudo está a ser feito para corrigir todas as situações que falharam durante o verão passado", estando apenas a serem tomadas medidas para colmatar aquilo que correu mal nos dois grandes incêndios de 2017.
Por sua vez, o deputado socialista Fernando Rocha disse aos jornalistas que Xavier Viegas destacou na audição que a estrutura da Proteção Civil, como está organizada, "pode ter dificuldades, perante uma tragédia desta dimensão, em assegurar a busca e salvamento das vítimas".
Isto porque, adiantou o deputado do PS, o INEM "não pode naturalmente avançar para um teatro de operações em risco, sob pena de pôr em risco os seus operacionais".
Fernando Rocha sublinhou que tem de existir "no comando uma estrutura concentrada" na busca e salvamento.
A audição foi pedida pelo CDS-PP em dezembro depois de o Governo não ter revelado na íntegra o relatório elaborado pela equipa de Domingos Xavier Viegas. Em causa estava o capítulo seis que relata os pormenores das mortes de cada uma das 64 vítimas mortais.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.