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Correio da Manhã

Portugal
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PESCA GERA CONFLITO

O embaixador português em Madrid protestou verbalmente junto do Governo espanhol na sequência de incidentes ocorridos nas águas algarvias entre pescadores espanhóis e elementos da Polícia Marítima e da Marinha de Guerra portuguesa.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
Os incidentes, ocorridos no dia 2, frente a Monte Gordo, provocaram ferimentos a tiro num elemento da Polícia Marítima, enquanto outro foi atirado à água pelos pescadores espanhóis, segundo os termos da acusação enviada a tribunal. Uma corveta foi mandada para a zona pelo ministro da Defesa, Paulo Portas.

Os confrontos verificaram-se no dia 2, cerca das 08h00, quando uma lancha de fiscalização da Capitania de Vila Real de Santo António deu conta de um grupo de nove embarcações de pesca espanholas que praticava pesca de forma ilegal em águas portuguesas. A lancha fez descer uma embarcação semi-rígida - a ‘Bisga’ - para abordar o pesqueiro espanhol ‘Nuevo Mary Carmen’.
Da lancha, o comandante da Capitania ia dando ordem de paragem ao pesqueiro espanhol, mas era completamente ignorado, não obstante terem sido disparados três tiros de aviso - para o ar, água e proa.

Por fim, dois dos homens da Polícia Marítima conseguiram entrar a bordo, a partir do semi-rígido, mas, enquanto o mestre da embarcação se fechava na ponte e mantinha o pesqueiro em movimento, desobedecendo à ordem de parar, gerava-se uma luta corpo-a-corpo, com os espanhóis a tentarem impedir os homens da Marinha de exercerem a autoridade.

Os militares tiveram que empunhar as pistolas para se tentarem defender e vários tiros foram disparados no meio da confusão. Um dos projécteis embateu numa janela da torre e um outro no radar. No corpo-a-corpo, um dos agentes, Ricardo de Almeida, foi ferido a tiro numa perna, enquanto o outro agente, Jorge Vieira, era atirado à água pelos pescadores espanhóis.

Ricardo de Almeida conseguiu regressar à ‘Bisga’, que se apressava já a tentar recuperar o náufrago, mas mesmo a partir do pesqueiro os espanhóis lançavam jactos de água e empurravam com escroques (varas) o semi-rígido português, quase comprometendo o salvamento.

Na água estava Jorge Vieira, que entretanto tinha sido obrigado a largar a espingarda G-3, que trazia em bandoleira, para não se afundar no oceano devido ao peso.

Por fim, o militar português foi recuperado e transportado aos serviços de saúde de Vila Real de Santo António, assim como o outro militar ferido a tiro. Ricardo de Almeida foi ferido numa coxa, mas o tiro passou de raspão, embora obrigasse o agente a ser suturado com sete pontos.

O MAIS GRAVE INCIDENTE

Os confrontos ocorridos agora em Monte Gordo constituem os mais graves incidentes entre as autoridades portuguesas e pescadores espanhóis, que frequentemente entram em águas portuguesas para a prática de pesca ilegal de crustáceos.

O ministro da Defesa, Paulo Portas, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Martinho da Cruz, já contactaram os seus homólogos espanhóis para impedir que os pescadores espanhóis voltem a entrar em águas portuguesas em condições ilegais. Por outro lado, a presença naval no Algarve foi reforçada com uma corveta da Marinha, além das três lanchas de fiscalização que já se encontram na zona. E o Ministério da Defesa deu ordem à Armada para proibir o ‘Nuevo Mary Carmen’ para sequer entrar em águas portuguesas.
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