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Correio da Manhã

Portugal
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PESCADORES HONRAM PADROEIRO

Descalços no asfalto previamente lavado pelos bombeiros, os pescadores carregam o andor. Engalanada, a imagem de S. Pedro, o padroeiro dos homens do mar, segue pelas ruas do Montijo em direcção à Igreja Matriz. Foram muitas as pessoas que acorreram ao desembarque do santo. Centenas e centenas de populares que não quiseram deixar de, mais uma vez, prestar-lhe homenagem e agradecer a protecção que dá aos que continuam a tirar o sustento do mar.
29 de Junho de 2002 às 22:31
“São já poucos os pescadores do Montijo”, lamenta António Carlos, antes de ecoar o primeiro foguete anunciando a chegada da imagem. Transportado no barco maior e mais engalanado, o andor é acompanhado por dezenas de embarcações que também se fizeram ao Tejo. Muitas são de pesca, outras de recreio.

“Todos os anos é assim”, conta António Carlos, antes de chamar a atenção do neto para a chegada do santo.

‘TODOS QUEREM IR’

“Embarcam aqui e vão até à Base Aérea buscar o andor”, acrescenta a mulher, Adélia Carlos, observando o desembarque do santo, operação difícil devido à estreiteza do cais e ao carregamento do barco. “Todos querem ir e todos querem vir com o santo”, justifica rindo.

A imagem de S. Pedro é muito antiga e bela, toda em marfim e coberta por um manto encarnado debruado a fio de ouro.

Realizada a procissão, a imagem recolheu à Igreja Matriz, de onde terá saído por volta das 22h00 para presidir à bênção dos barcos e do Tejo, numa segunda procissão.

A festa, como habitualmente deve ter-se prolongado até de manhã, com fados, comes e bebes e a sexta largada de toiros, embolados. Prevista estava também a actuação do Grupo de Sevilhanas do Clube Taurino de Alcochete.

Apesar da noite longa, os pescadores cumprem a tradição e, hoje, manhã cedo, vão até à Ermida do Senhor dos Aflitos, na Quinta do Saldanha, para a cerimónia da ‘lavagem’. ‘Lavam-se’ dos pecados e pagam promessas feitas.

As festas de S. Pedro terminam com o tradicional fogo de artifício , que será antecedido por outro momento simbólico, a ‘Queima do Batel’, onde é deitado fogo ao barco mais antigo da comunidade.
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