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Correio da Manhã

Portugal
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PESCADORES REZAM NO MAR

O bispo de Viana do Castelo, D. José Augusto Pedreira, lamentou ontem o facto daquela que é considerada a “mãe das romarias de Portugal” ser cada vez mais uma manifestação profana.
20 de Agosto de 2002 às 22:25
"Está-se a esquecer a componente religiosa, as festas são cada vez mais pagãs", alertou o prelado, na homilia da missa campal que antecedeu a emblemática Procissão de Nossa Senhora ao Mar.

Perante a multidão que enchia por completo todos os locais disponíveis no cais junto ao mar de Viana, D. José Pedreira não deixou, contudo, de enaltecer o brio e empenho dos pescadores e das suas famílias no trabalho de preparação da procissão e na elaboração dos tapetes coloridos que embelezaram as ruas da zona da Ribeira.

O bispo sublinhou que a beleza da Procissão ao Mar e a imensidão do público que mobilizou para assistir à cerimónia constituem também "uma homenagem merecida e significativa à comunidade piscatória, cujas famílias atravessam momentos muito difíceis, agravados por uma generalizada crise económica".

Não há crise que chegue

Mas, como realçava o pescador Manuel Vasconcelos a justificar todo o cenário que adornava ontem a cidade de Viana, "não há crise económica que resista às Festas d'Agonia", até porque a hora é de expressar o agradecimento à 'Padroeira dos Pescadores' e reforçar os pedidos de protecção para a nova época piscatória.

De facto, logo que a procissão entrou para o mar, os pescadores não se cansaram de fazer buzinar os barcos que levavam os andores da Senhora d'Agonia, S. Pedro e Nª Sª dos Mares, seguidos das autoridades religiosas e civis, bandas de música e muitos devotos.

No calor da emoção, uma das traineiras ainda embateu numa pequena embarcação, mas ambas conseguiram segurar-se à tona da água.

O ambiente de alegria e festa, abrilhantado pelo fogo-de-artifício, manteve-se na viagem de regresso ao templo da Senhora d'Agonia, pelas ruas enfeitadas por tapetes multicores de serrim e sal, com desenhos e objectos relativos à faina do mar, dando continuidade a uma tradição que perdura desde a década de 50.

A origem da tradição Procissão ao Mar remonta ao ano de 1700, mas a ornamentação das ruas da Ribeira com alusões à actividade piscatória começou há 50 anos, por iniciativa do então pároco de Monserrate, Daniel Machado, que decidiu encontrar uma forma de envolver as mulheres dos pescadores naquela manifestação religiosa, que marca o último dia das Festas d'Agonia.
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