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Correio da Manhã

Portugal
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PÍLULA DA ESPERANÇA

Todos os dias morrem em Portugal nove pessoas com cancro do cólon, considerado a segunda causa de morte por tumor maligno. E muitas mais são confrontadas com um diagnóstico, que marca o início de uma longa batalha. Para estes, obrigados a encarar uma cirurgia para remoção do tumor e a viver com o receio da propagação das células malignas, surge agora uma nova esperança. Chama-se capacitabina e é uma forma de quimioterapia diferente da tradicional, pois o tratamento faz-se por via oral.
29 de Julho de 2004 às 00:00
Para trás fica a obrigatoriedade de deslocação ao hospital, a ansiedade que rodeia o tratamento de quimioterapia, os médicos e enfermeiros. Em forma de comprimido, este novo método evita tudo isto, já que pode ser tomado em casa, duas vezes ao dia. Isso torna-o, de acordo com Tavares de Castro, oncologista médico, “mais conveniente”. E não só, pois a taxa de eficácia é também maior. “Há uma taxa de 13 por cento de sobrevivência melhorada. Um número que parece pequeno, mas que se for transportado para os vários milhares de doentes operados em Portugal, transforma-se em centenas de vidas salvas.”
Menos efeitos secundários Apresentada no início de Junho na maior reunião de oncologia do Mundo, organizada pela American Society of Clinical Oncology, a capacitabina fez-se acompanhar por um estudo clínico em que participaram mais de dois mil doentes, distribuídos por hospitais de 30 países.
Utilizada para prevenção de metástases após a cirurgia, os resultados que demonstrou foram de tal forma animadores que levam mesmo os especialistas a afirmar que, a partir de agora, deverá ser considerada terapia padrão para o tratamento dos doentes submetidos a uma cirurgia para remoção do tumor, que apresentam vários factores de risco.
As vantagens não se prendem apenas com a comodidade do tratamento. A questão dos efeitos adversos, associados à quimioterapia, foi também tida em conta no estudo realizado entre Novembro de 1998 e Janeiro de 2001. “Cerca de 60 por cento dos doentes têm reacções secundárias, como diarreia, aftas na boca, diminuição dos glóbulos brancos, queda de cabelo, náuseas e vómitos. Esta nova terapia tem menos reacções adversas, provocando menor queda de cabelo, o que é valorizado por muitos doentes”, afirma Tavares de Castro.
Razões de sobra para levar este especialista a aconselhar os médicos a adoptarem este novo medicamento, que se revelou ainda menos tóxico, mais fácil de controlar e com menos reacções adversas. “Não há dúvidas que deve ser considerado o tratamento padrão para prevenir as metástases. É a diferença entre tomar alguns comprimidos em casa e ter que tomar injecções durante meses.”
SOLUÇÃO MAIS ECONÓMICA A LONGO PRAZO
A nova forma de quimioterapia oral encontra-se já disponível no mercado, com um preço superior ao tratamento tradicional. No entanto, na opinião dos médicos, torna-se uma escolha mais acertada a médio e longo prazo. “Apesar de ser um pouco mais caro, é o farmaco economicamente mais vantajoso. Se tivermos em conta a necessidade de uma enfermeira durante os cinco dias que dura o tratamento de quimioterapia padrão, mais o material que é necessário, o preço de ocupação num hospital de dia e o preço da deslocação dos doentes, percebe-se por que é mais vantajoso”, afirma o oncologista Tavares de Castro. Vantagens que, para doentes que residem a grandes distâncias do hospital, adquirem uma importância ainda maior. Sérgio Barroso, oncologista no Hospital de Beja, tem experiência no tratamento do cancro do cólon fora dos grandes centros urbanos e descreve algumas das dificuldades. “No interior do País, a distância até ao hospital de referência é grande. As populações têm fracos recursos, as ajudas sociais são más e os transportes escassos, o que torna a deslocação muito difícil. Desta forma, tudo fica mais fácil e acessível.”
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