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Correio da Manhã

Portugal
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Piolho de pombo obriga a transferência de bebés

Mário Pereira nem queria acreditar quando, na manhã de sábado, numa das visitas à Unidade de Neonatologia do Hospital de Setúbal, encontrou a incubadora onde estava a filha, de pouco mais de um mês, repleta do que pareciam ser pequenos insectos. “Tinha sido literalmente invadida e mais tarde disseram-me que era piolho de pombo”, conta ao CM.
27 de Julho de 2005 às 00:00
Desde sábado que os bebés prematuros estão em salas no Serviço de Pediatria do hospital
Desde sábado que os bebés prematuros estão em salas no Serviço de Pediatria do hospital FOTO: Natália Ferraz
O alarme foi dado, o que obrigou ao encerramento da unidade e transferência dos seis recém-nascidos que ali se encontravam internados para duas salas no serviço de Pediatria. O responsável parece já ter sido identificado: um pombo mais atrevido. “A informação que o hospital forneceu é que se tratou de um pombo que entrou na conduta de ar condicionado”, explica Manuela Madeira, Sub-delegada Regional de Saúde de Setúbal.
Em comunicado, o hospital informa que está prevista para hoje a reabertura da unidade, depois das tarefas de limpeza e desinfecção do sistema de ar condicionado e condutas de ventilação. “E não é de estranhar que o piolho tenha vindo daí, já que o exterior da unidade encontra-se bastante degradado, sujo e repleto de excrementos de pombos”, refere Mário Pereira, que aproveita para criticar o silêncio do Conselho de Administração do Hospital para com os pais das crianças internadas.
É a segunda vez, num prazo de pouco tempo, que o piolho de pombo obriga a cuidados de desinfecção em hospitais nacionais. No início deste mês, a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente da Urgência do Hospital de São João, no Porto, foi também alvo da epidemia, que obrigou à evacuação de dez doentes daquele serviço, transferidos para outras áreas da mesma unidade de saúde.
OUTRAS INFORMAÇÕES
ALERGIAS
O piolho de pombo é um parasita que, de acordo com os especialistas, não representa grande perigo para a saúde pública. No entanto, a sua picada, semelhante à de uma pulga, pode dar origem a problemas como alergias.
CULPADOS
Na origem dos problemas estão os pombos, que escolhem para abrigo os buracos e beirais dos telhados. “Fazem ninhos, o que é uma oportunidade para que o piolho se espalhe” explica o veterinário Marc Ryan.
PLANOS
Para o veterinário Marc Ryan, é urgente que se elaborem planos de erradicação dos pombos urbanos, que passam pela construção de espaços próprios onde possam nidificar com todas as condições e controlo de higiene.
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