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Correio da Manhã

Portugal
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Pistola de PSP baleado encravou

O agente da PSP baleado pelo assaltante da ourivesaria de Castelo Branco, terça-feira à noite, tentou disparar por duas vezes quando perseguia o fugitivo, mas a sua arma de serviço – uma Sig Sauer de calibre 9 mm – avariou.
29 de Janeiro de 2009 às 00:30
Gracinda Nabais e Salete puseram o ladrão em fuga
Gracinda Nabais e Salete puseram o ladrão em fuga FOTO: Edgar Martins

A. Correia, de 50 anos, accionou o gatilho mas a munição não deflagrou, por defeito desta ou da arma. A situação vai ser esclarecida através de um inquérito já instaurado pela Direcção Nacional da PSP. O polícia ferido foi ontem operado – para lhe ser retirada a bala da anca –, enquanto o assaltante, de 47 anos, cadastrado por furto e roubo, foi entregue à PJ. Hoje de manhã será presente ao Tribunal de Castelo Branco.

A tentativa de assalto à ourivesaria Nabais e o tiroteio entre a PSP e o assaltante teve também como protagonistas as proprietárias da loja, Gracinda Nabais e Maria Salete. As duas mulheres tiveram uma pistola de calibre 7.65 mm apontada à cabeça, mas conseguiram agredir e pôr o ladrão em fuga. 'Abri-lhe a porta porque tive medo que disparasse do lado de fora. Depois ele gritou para eu me deitar, mas nunca lhe obedeci. A certa altura peguei numa barra de ferro – que está na loja para estas situações – e mandei-lhe com ela. Ficou dorido e deixou cair a pistola', conta Gracinda Nabais, de 57 anos, que depois fugiu para a rua a pedir socorro. Maria Salete pensou 'que ia morrer'. 'Por favor senhor, não me mate!', suplicou ao assaltante.

DETALHES

CADASTRADO

O ladrão tem cadastrado por assaltos à mão armada, furtos, roubos por esticão e furtos no interior de residências. Tem residência em Lisboa, mas já estava referenciado por vários crimes em Castelo Branco.

VÁRIAS ARMAS

O assaltante, que esteve barricado uma hora e meia num parque de estacionamento, tinha consigo uma pistola de calibre 7.65 mm e uma faca proibida e indicou onde tinha escondido uma caçadeira que furtara de uma residência.

AGIU SOZINHO

De início pensou-se que tinha cúmplices, mas ontem as autoridades estavam convencidas de que agiu sozinho. Foi ferido ligeiramente num braço com um tiro da PSP. Na sequência do tiroteio, um carro parado na rua sofreu danos.

"POLÍCIAS DEBATEM-SE COM FALTA DE MEIOS": Paulo Rodrigues Presidente da Ass. Sind. de Prof. de Polícia

CM – Um polícia correu risco de vida porque a arma de serviço encravou. É normal acontecer?

Paulo Rodrigues – Infelizmente tem ocorrido muitas situações como esta, em que os policias se debatem com uma clara falta de meios. Este homem teve a vida em risco, porque o Governo insiste em não dotar os comandos com os meios adequados.

– O que é que se passou?

– O agente perseguiu o suspeito, posicionou-se para o imobilizar e tentou disparar por duas vezes, mas a arma não correspondeu. Depois ficou à mercê do suspeito e foi baleado.

– O MAI disse que já estão a ser entregues as novas armas?

– A Castelo Branco, por exemplo, não chegou nem uma. A criminalidade violenta não escolhe cidades, está em todo o lado. Os comandos do Interior têm graves falhas de meios. As armas estão obsoletas, não há coletes para todos os agentes e os veículos estão caducos.

– Há polícias de 1.ª e 2.ª?

– Não sei. Digo é que a resposta do Governo tem de ser igual para todo o lado. Um agente do Interior tem de dispor dos mesmos meios do que os do Litoral. Até porque o crime há muito tempo que se descentralizou.

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