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Correio da Manhã

Portugal

‘Pistoleiro’ rapta e viola mulheres

Traficante de armas deu tiros para o ar para forçar as duas vítimas a terem relações sexuais. Predador perseguiu-as e ameaçou matar as suas famílias.
17 de Janeiro de 2011 às 00:30
Na internet Rogério Pebre (na foto) publicou várias fotografias com elevadas quantias de dinheiro na mão. Durante a detenção, a Judiciária apreendeu várias armas, munições e gorros
Na internet Rogério Pebre (na foto) publicou várias fotografias com elevadas quantias de dinheiro na mão. Durante a detenção, a Judiciária apreendeu várias armas, munições e gorros FOTO: DR

As mensagens na internet prometiam um encontro de sonho, mas rapidamente, Rogério Pebre, um traficante de armas de 44 anos, transformou a vida das duas mulheres que aceitaram conhecê-lo num pesadelo. Foram raptadas e violadas sob ameaça de arma. O predador, detido há oito meses pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ, começa a ser julgado por um dos casos quarta-feira no Tribunal de Mértola.

A segunda queixa de violação, que ocorreu na Amadora e que foi separada deste primeiro processo, seguiu há poucos dias para o Ministério Público de forma a ser deduzida acusação. Recentemente Rogério foi também condenado a cinco anos de prisão por abusar da própria filha (ver caixa).

A primeira violação ocorreu a 3 de Dezembro de 2009, quando ‘Maria’, de 25 anos, acedeu encontrar-se no Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa, com o traficante de armas, conhecido pela alcunha de ‘Pistoleiro’. Mas, Rogério tinha já o plano bem traçado. Após saírem do centro comercial, em vez de seguir para casa de ‘Maria’, dirigiu-se para Mértola, no Alentejo. n

Apercebendo-se de que estavam a sair de Lisboa, a jovem confrontou o violador. "Tu aqui não mandas nada!", gritou o predador depois de disparar um tiro de pistola pela janela do carro.

Já em casa do violador, ‘Maria’ viu os seus maiores receios tornarem-se realidade. "Esta noite tu estás por minha conta", disse Rogério, que durante várias horas violou a vítima repetidamente.

Libertada apenas no dia seguinte, ‘Maria’ foi perseguida nos meses seguintes. O ‘Pistoleiro’ ameaçou-a que se contasse algo matava a sua família, o que levou que aquela apenas fizesse queixa em Abril do ano passado, quando teve conhecimento de que Rogério tinha violado outra mulher, de 33 anos. O método utilizado pelo predador foi o mesmo em ambos os casos.

VENDIA ARMAS ILEGAIS ATRAVÉS DA INTERNET

A actividade criminosa de Rogério Pebre terá começado em 2005, altura em que começou a traficar armas. Essa foi, aliás, a única fonte de rendimento do predador durante vários meses. Detido duas vezes pela Polícia Judiciária por tal crime e com um processo a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), o ‘Pistoleiro’ não abandonou a actividade ilícita. Pela internet, o violador continuava a vender armas. Em várias conversas o predador referiu ter armas novas disponíveis.

Em 2006, o predador foi ainda acusado de abusar da filha de seis anos e de a infectar com sífilis. Em Outubro do ano passado, o Tribunal de Sintra deu como provado os crimes contra a menina e condenou o traficante de armas – que está em prisão preventiva na cadeia de Beja – a cinco anos de prisão.

"SE FOR PRESO QUANDO SAIR VOLTO A ATACAR"

Após violar repetidamente ‘Maria’, o violador ameaçou-a não só para que ficasse calada, mas também para que acedesse a ter um novo encontro. Rogério não mostrava, no entanto, receio em ser detido. "Se for preso quando sair volto a atacar. Sabes bem o que te acontece", disse numa das mensagens enviadas.

Apresentada a primeira queixa, a Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária deteve em tempo quase recorde o violador. ‘Maria’ acabou por fazer queixa nos dias seguintes. A operação da UNCT permitiu ainda apreender dezenas de armas.

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