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Correio da Manhã

Portugal
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PJ alarga investigações aos negócios do Exército

As investigações à compra de material militar, que inicialmente visaram negócios da Marinha de Guerra, alargaram-se ao Exército. As buscas levadas a cabo pela Polícia Judiciária, na última terça-feira, em escritórios de advogados e empresas, permitiram a apreensão de documentos que indiciam favorecimento na aquisição de equipamentos para as 260 viaturas blindadas – encomendadas ao consórcio austríaco Magna-Steyr, ainda Paulo Portas era ministro da Defesa.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Portugal encomendou 260 blindados Pandur II por 344 milhões de euros
Portugal encomendou 260 blindados Pandur II por 344 milhões de euros FOTO: d.r.
A primeira fase das investigações culminou, no início de Setembro, na detenção de dois oficiais superiores e de um sargento da Armada e de dois empresários. Um dos oficiais, o capitão-de-fragata Clélio Ferreira Leite, é considerado no meio militar como um dos melhores especialistas em equipamentos de visão nocturna – tanto que a comissão nomeada pelo Ministério da Defesa para classificar os blindados a concurso o chamou a dar parecer. A opinião do comandante Ferreira Leite sobre o sistema de visão nocturna que devia ser montado nos blindados foi aceite sem reservas e o equipamento terá sido fornecido por uma empresa que tinha a Marinha de Guerra como cliente habitual.
O negócio dos 260 blindados foi adjudicado por Paulo Portas ao consórcio austríaco Magna-Steyr por 344 milhões de euros. Mas em Abril deste ano o então ministro da Defesa, Luís Amado, congelou o negócio por entender que as contrapartidas eram baixas, praticamente de valor equivalente ao da compra. O contrato foi renegociado e o construtor, recentemente, aceitou pagar quase o dobro em contrapartidas – qualquer coisa como 516 milhões de euros.
Segundo fonte militar, as contrapartidas deste tipo de negócios não são pagas em dinheiro, mas em transferência de tecnologia, que tem elevado valor. O consórcio austríaco vai permitir a empresas portuguesas a produção e desenvolvimento de tecnologias cujas patentes lhes pertençam.
GUERRA À CORRUPÇÃO
DENÚNCIAS
Os fumos de corrupção nos negócios militares começaram a ser investigados pela Polícia Judiciária no início deste ano – quando chegaram várias denúncias anónimas, mas “recheadas de pormenores reveladores”, à Procuradoria-Geral da República.
ARGUIDOS
As investigações conduzidas pela Polícia Judiciária, sob a direcção do Ministério Público, já levaram à constituição de 12 arguidos – entre eles empresários, oficiais superiores da Marinha de Guerra no activo e um vice-almirante na reforma.
SEGREDOS
As buscas levadas a cabo pela Judiciária, por envolveram segredos de Estado relacionados com equipamentos militares têm sido acompanhadas por um juiz de Instrução Criminal. As investigações também decorrem com grande secretismo.
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