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Correio da Manhã

Portugal
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PJ detém sete pessoas por associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento após buscas no Grande Porto

Fuga ao pagamento do IVA por parte dos 'stands' em causa na origem da investigação "Roda Livre".
Lusa e Correio da Manhã 13 de Janeiro de 2021 às 11:45
Polícia Judiciária
Polícia Judiciária FOTO: Diogo Pinto
A Polícia Judiciária deteve esta quarta-feira sete pessoas por associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento após ter desenvolvido setenta buscas a 'stands' de automóveis e buscas domiciliárias no Grande Porto, por suspeitas de fraude na importação de veículos.

Segundo fonte policial à Lusa, as buscas, que contam com inspetores da Polícia Judiciária (PJ) e da Autoridade Tributária (AT), estão relacionadas com uma investigação sobre a alegada fuga ao pagamento do IVA (Imposto Sobre o Valor Acrescentado) por parte dos 'stands' em causa, aquando da importação dos veículos do estrangeiro, sem declaração das transações ao fisco, podendo estar em causa "milhões de euros" em prejuízo para o Estado. O CM sabe que se tratam de quatro milhões de euros em prejuízo para o Estado.

Além das buscas, os inspetores da PJ e da AT estão a dar cumprimento a vários mandados de detenção, estando previsto um "conjunto de detenções", no âmbito desta investigação.

De acordo com o comunicado da PJ enviado ao CM, a operação denominada "Roda Livre" tem em causa os crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento, falsificação de documentos, falsidade informática, lenocínio e associação criminosa.

Ao que o CM apurou, o empresário Augusto Fernandes, dono do Stand Auguscar, está a ser alvo de buscas nesta investigação. Augusto Fernandes ficou conhecido por emprestar carros a figuras públicas, nomeadamente a Angélico Vieira. 

"Na sequência das setenta buscas domiciliárias e não domiciliárias, realizadas nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Braga, Barcelos, Paredes, Vila Nova de Famalicão e Ponte de Lima, foram detidos sete indivíduos, entre os quais três empresários do ramo automóvel e dois contabilistas certificados, com idades compreendidas entre os 35 e os 50 anos, fortemente indiciados pelos referidos crimes", refere a mesma nota. 

Os envolvidos conseguiram, refere a autoridade, "introduzir no mercado nacional viaturas a um preço de venda ao público significativamente inferior ao preço normal de mercado, gerando uma significativa distorção no sector automóvel, que acompanha um prejuízo para o erário publico estimado, por ora, em cerca de 4,3 milhões de euros".

A organização criminosa terá falsificado documentos e "introduziu e modificou dados informáticos, sendo os proventos da atividade ilícita aplicados na sua promoção com vista a obter posição de relevo no sector, para além da aquisição de bens materiais e na exploração de estabelecimentos onde se favorecia o exercício de prostituição".

Foi apreendida documentação diversa relativa à prática dos factos, viaturas automóveis, material informático e dinheiro.

Os detidos vão ser presentes à autoridade judiciária para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação adequadas.

Lusa crime lei e justiça polícia
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