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Correio da Manhã

Portugal
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PJ INSISTE EM BUSCAS COM O TIO

Pela segunda vez no espaço de 72 horas, João Cipriano, tio da criança desaparecida há quase um mês, e presumivelmente morta, esteve em Figueira, a aldeia onde a menina morava e foi vista pela última vez. Acompanhado por elementos da Polícia Judiciária de Faro, o detido chegou ontem bem cedo à localidade mas, ainda assim, a sua presença foi notada por alguns moradores.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
João Cipriano, tio da menina, voltou à Figueira na companhia da PJ de Faro
João Cipriano, tio da menina, voltou à Figueira na companhia da PJ de Faro FOTO: Carlos Almeida
Já na tarde de anteontem, o padrasto da criança tinha sido conduzido à PJ de Faro a fim de ser interrogado mais uma vez - a quarta desde que a menor desapareceu, a 12 de Setembro. "Voltaram a fazer-me as mesmas perguntas e eu dei as mesmas respostas. Quiseram saber onde é que estava nesse dia e voltei a explicar que não estava na minha casa, mas sim na da minha mãe, com ela, o meu padrasto e um amigo", contou ao CM António Leandro.
Na mesma tarde, deveria também ter voltado a ser ouvido na PJ o amigo do padrasto, o que deverá acontecer nos próximos dias.
Já depois de saber que o cunhado tinha estado em Figueira, horas antes, acompanhado pela PJ, António Leandro reafirmou a sua confiança em Leonor Cipriano, sua mulher e mãe de Joana. "Ela nunca bateu na filha, nem mesmo quando ela dava más respostas. Como poderia tê-la morto?"
Uma dúvida que, desde o desaparecimento da menina, aflige toda a família de Leandro. Na sucata onde quase todos trabalham, comentava-se ontem os sucessivos telefonemas anónimos que recebem diariamente há quase um mês. "Às vezes telefonam e ficam em silêncio quase quinze minutos. Não falam, não se ouve nada. Outras vezes, até nos insultam e já chegaram a meter crianças a falar connosco", lamentou Lurdes David, mãe de António Leandro.
"Acredito que a Joana está viva. Não há qualquer corpo, não há novidades que confirmem que esteja morta", disse Lurdes David. "É por isso que nenhum de nós vai à procissão em Figueira."
SEM SINAL DA CRIANÇA HÁ QUASE UM MÊS
Terça-feira, dia 12 de Outubro, completa-se um mês desde que Joana foi vista pela última vez, junto à igreja da Figueira, em noite de festa do berbigão na aldeia perto de Portimão. Nesse domingo, 12 de Setembro, a mãe mandara-a comprar leite e conservas na pastelaria 'Célia'.
Joana estava há quatro dias em casa da avó (mãe do padrasto) em Lagos, de onde só deveria regressar na segunda-feira. Porém, pelas 18h00 desse domingo, Leonor levou-a de volta à Figueira. "Ela estava cá e estava bem. Perguntei-lhe se ela queria ir. A Joana encolheu os ombros, não me respondeu e nunca mais a vi", recordou Lurdes David.
"À meia-noite recebi um telefonema do Leandro a perguntar se a Joana estava comigo, pois a Leonor tinha- -a mandado às compras e ela ainda não tinha aparecido. Na manhã seguinte, quando cheguei lá, vi a Leonor a chorar, com o João ao lado. Percebi logo que não tinha aparecido. Até hoje", lamenta a avó.
DESAPARECIMENTO NÃO PASSA FRONTEIRA
O desaparecimento de Joana, que domina a actualidade nacional há quase um mês, passou completamente despercebido em Espanha, mesmo na província de Andaluzia, que faz fronteira com o Algarve. A polícia espanhola diz que não sabe de nada e os jornais locais só ontem despertaram para o sucedido.
“Não recebemos qualquer pedido das autoridades portuguesas sobre o desaparecimento”, confirmou ao CM Pedro Perez Rodrigues, comandante da polícia local de Ayamonte. Na Guardia Civil e na subdelegacão do governo a posição é a mesma. “Não temos conhecimento de nada”, garantiu fonte oficial.
Nos Comunicação Social, a surpresa é total. Em Ayamonte, a rádio não sabia de nada. E em Huelva, segunda cidade da Andaluzia, os dois principais jornais não tinham escrito uma linha sobre o assunto. Algo que pode mudar nos próximos dias.
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