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Correio da Manhã

Portugal
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PJ quer atacar pacto de silêncio dos amigos

A Polícia Judiciária vai a Inglaterra para interrogar os amigos dos McCann. A diligência é considerada fundamental, acreditando os investigadores que deste modo poderão quebrar o pacto de silêncio do grupo de ingleses que acompanhou o casal nas férias no Algarve, nos primeiros dias de Maio do ano passado.
5 de Janeiro de 2008 às 00:00
As perguntas que serão feitas às nove pessoas já foram escritas pelos investigadores portugueses que apenas irão acompanhar os polícias ingleses. Não podem eles próprios fazer perguntas, mas poderão dar indicações aos congéneres.
Esta diligência é assim considerada essencial para a investigação. A PJ acredita que existe um pacto de silêncio devido às práticas do grupo – todos tinham filhos menores que dormiam impreterivelmente às 20h00 e que ficavam nos quartos sozinhos enquanto os pais jantavam – o que poderá ter criado uma unidade ‘estranha’, que ditasse silêncios, omissões e até alguma cumplicidade nos factos posteriores quando se tornou público o desaparecimento de Madeleine.
É no contexto destas inquirições que a Polícia Judiciária acredita poder ter um golpe de sorte. Um pormenor, uma ponta solta, que leve os investigadores ao rasto da criança – que a polícia acredita estar morta e cujo corpo poderá ter sido escondido ainda na noite de 3 de Maio nas imediações do aldeamento na Praia da Luz.
Quando a diligência se realizar e os resultados forem enviados para Portugal a PJ estudará a possibilidade de voltar a interrogar os pais da criança – situação que obrigaria a nova carta rogatória e às mesmas burocracias das que agora seguem para Inglaterra e que demoraram quase três meses a ser elaboradas.
Refira-se que, tal como o Correio da Manhã ontem noticiou, na diligência agora desencadeada – que deverá ser cumprida ainda este mês – as autoridades vão também apre-ender o diário de Kate McCann. O documento foi escrito após o desaparecimento da criança e as autoridades acreditam que é revelador da personalidade da mãe. As cópias do mesmo estão apreendidas no processo, mas as autoridades pretendem obter o original. Neste diário Kate queixava-se de que os filhos eram histéricos e lamentava a falta do apoio de Gerry no acompanhamento dos gémeos Sean e Amélie, que têm menos de dois anos.
A Polícia Judiciária pediu entretanto ao juiz de instrução a apreensão do diário, por ser considerado um elemento que revela a vida privada. O entendimento da lei portuguesa é que a sua apreensão obedece a regras específicas, devendo ser apreendido apenas em circunstâncias especiais.
Há ainda quem defenda que tal documento não pode ser validado por se tratar de um texto livre, onde as pessoas reflectem sentimentos que podem nem sequer ser reais e factos que podem não ter ocorrido.
SEGREDO VAI MANTER-SE
O segredo do processo vai manter-se pelo menos durante mais três meses. O Ministério Público vai pedi-lo e tudo indica que o juiz defira o requerido. A argumentação deverá não mudar muito da que já foi invocado na primeira recusa dada aos advogados para consultarem o processo – trata-se de um caso especialmente sensível pela importância mediática que assume, havendo risco de perturbação do inquérito se muitos dos factos vierem a público. Quanto aos prazos para o processo se manter secreto, são uma incógnita. O juiz deverá prorrogar o segredo por mais três meses, mas nada impede que haja novo prolongamento. Os entendimentos nessa matéria não são unânimes.
MURAT ESPERA NOTIFICAÇÃO
Francisco Pagarete, advogado de Robert Murat, o britânico que reside na Praia da Luz, aguarda pela notificação do Ministério Público. “Entendo que os prazos do inquérito suspendem durante as férias. Portanto, vou esperar mais algumas semanas para que o Ministério Público termine a investigação e notifique o meu cliente”, disse ao CM o advogado, garantindo que não tentará, agora, aceder ao conteúdo da investigação. “Vamos aguardar com serenidade. Estou convencido de que os autos serão arquivados no que toca a Robert Murat e espero que tudo se resolva rapidamente”, adiantou. O CM sabe que o MP não pretende fazer um despacho intercalar a arquivar os factos contra o britânico, por entender que as cartas rogatórias também devem versar sobre a presença do arguido no aldeamento no dia 3 de Maio.
PORMENORES
VESTÍGIOS
Em Agosto as autoridades portuguesas, com auxílio dos cães ingleses, recolheram vestígios biológicos. Na casa onde Maddie passava férias e no carro alugado pelos pais havia vestígios da criança desaparecido a 3 de Maio. O mais estranho é que nessa altura a menina já estava desaparecida, tendo o carro sido alugado no final do mês.
MORTE PROVÁVEL
A Polícia Judiciária insiste na hipótese de Maddie McCann ter sido morta. Os pais são suspeitos de homicídio negligente, ocultação de cadáver e simulação de crime, mas nenhum dos crimes em causa implica prisão preventiva. A extradição para Portugal, em caso de acusação pública, também não é possível à luz da lei inglesa.
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