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Correio da Manhã

Portugal
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PLANETA VERMELHO À VISTA DESARMADA

Nunca foi possível ao Homem observar Marte tão facilmente a olho nu. A luz vermelha intensa que surge no céu resulta de a Terra e de Marte estarem a aproximar-se, um fenómemo que aconteceu pela última vez há 60 mil anos e que só voltará a repetir-se em 2287.
25 de Agosto de 2003 às 00:00
55,7 milhões de quilómetros separam  os planetas Terra e Marte
55,7 milhões de quilómetros separam os planetas Terra e Marte FOTO: EPA
Segundo o astrónomo Máximo Ferreira, esta aproximação tão rara resulta de que "sempre que nas suas órbitas os planetas vermelho e azul se aproximam entre si, distam cerca de 70 milhões de quilómetros. Contudo, porque as órbitas não realizam circunferências perfeitas por vezes esta distância é menor, tal como sucede este ano em que Marte e Terra estarão separados por "apenas" 55,7 milhões de quilómetros". O momento em que os dois astros estarão mais próximos será, entre as 11h00 da próxima quarta-feira e as 19h00 de quinta-feira, contudo o responsável pelo sector de astronomia do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, esclareceu que à vista desarmada este fenómeno é já visível desde Maio.
O planeta Vermelho surge no céu diariamente a Leste, por volta das 22h00 e atinge o seu azimute (ponto mais alto no céu) às 3h00. "Um ponto muito vermelho é facilmente visível, desde que o céu esteja limpo", disse ao CM Máximo Ferreira.
A observação do planeta é fácil, explicou o astrónomo. "Para tal é preciso colocarmo-nos à noite virados para Sul e olhar em direcção a Leste. Por exemplo, quem estiver junto da Torre de Belém virado para o Tejo, entre as 22h00 e as 23h00 terá de olhar para o Céu, em direcção à Margem Sul na direcção do Seixal ou Barreiro", disse Máximo Ferreira.
O astrónomo esclareceu que a aproximação dos planetas não terá quaisquer efeitos climatéricos nem provocará a ocorrência de catástrofes naturais como marés vivas ou terramotos.
RADIOGRAFIA
POEIRAS NO CÉU
O céu de Marte apresenta tons laranja devido às poeiras em suspensão. A translação dura 687 dias e a rotação 24h37. O planeta conta com um diâmetro de 6794 km e a temperatura média é de -23ºC. O Monte Olimpo, o mais alto do sistema solar tem 27 quilómetros.
DOIS SATÉLITES
Marte possui dois satélites, Fobos e Deimos, cujos nomes significam, respectivamente, medo e terror. Segundo a mitologia, as criaturas que acompanhavam Marte na guerra.
TELESCÓPIOS PREPARADOS DE NORTE A SUL
A excitação é grande entre os astrónomos por poderem testemunhar esta semana uma aproximação tão rara da Terra a Marte. De Norte a Sul equipas de astrónomos irão disponibilizar aos interessados a possibilidade de poderem observar por um telescópio Marte.
Quarta-feira o planeta atingirá o seu maior tamanho aparente e, em consequência, será máxima a sua visibilidade a partir da Terra, sendo mais intenso o brilho vermelho alaranjado resultante da reflexão solar no ferro oxidado abundante à sua superfície.
Em Lisboa,no Pavilhão do Conhecimento, Parque das Nações, estará um grupo pertencente ao Museu de Ciência da Universidade de Lisboa. Também na noite de quarta para quinta-feira uma outra equipa deste museu estará presente no Observatório Astronómico de Constância.
Nesta localidade ribatejana pelas 22h30 será realizada uma palestra sobre o fenómeno e entre as 23h15 e as 2h00 será possível aos interessados observar o planeta vermelho.
Os interessados nestas observações poderão ligar directamente para o professor Máximo Ferreira cujo telemóvel é 962382208.
No Observatório Astronómico de Lisboa, e após uma conferência proferida pelo subdirector,
Rui Agostinho, as observações telescópicas serão completadas por projecções de imagens capatadas por câmaras sofisticadas adaptadas a telescópios.
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