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Correio da Manhã

Portugal
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Plataforma cai e fere três

A Inspecção Geral de Trabalho (IGT) está a investigar as causas de um acidente de trabalho que ontem causou ferimentos graves em três operários, empenhados na construção do viaduto que vai alargar o Eixo Norte-Sul, em Lisboa. As vítimas estavam a trabalhar em cima de uma plataforma, que cedeu, projectando os três operários de uma altura superior a dez metros para o chão.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Dois feridos foram transportados para o Hospital de Santa Maria, enquanto o terceiro ainda se mantém internado no Hospital de São José.
Dois feridos foram transportados para o Hospital de Santa Maria, enquanto o terceiro ainda se mantém internado no Hospital de São José. FOTO: d.r.
O sinistro ocorreu pelas 10h25 no estaleiro que a Estradas de Portugal (EP), empresa responsável pela obra, montou na Rua Professor Manuel Valadares, nas traseiras da Junta de Freguesia do Lumiar.
Os três trabalhadores (um romeno, de 49 anos, um ucraniano, de 29, e um português de origem africana, de 33) foram recrutados a empresas de trabalho temporário, por parte do consórcio a quem foi atribuída a realização da obra.
Os dois cidadãos estrangeiros estão, segundo um comunicado da EP, legais em solo nacional. A todos os trabalhadores foram ministradas acções de formação, assegurando a empresa que a última das quais ocorreu na segunda-feira e que versou sobre a temática dos riscos de quedas em altura.
No momento do sinistro os três indivíduos trabalhavam, lado a lado, em cima de uma plataforma suportada por um andaime instalado a uma altura superior a dez metros.
“Estavam a realizar trabalhos nas vigas exteriores de um dos tabuleiros do viaduto”, referiu a EP em comunicado.
Por razões ainda indeterminadas, a estrutura que suportava os três trabalhadores caiu, desamparada, arrastando-os para uma queda abrupta. Apesar de todos estarem munidos com o arnês de segurança (que evita as quedas em altura), a empresa denunciou que, no momento do acidente, nenhum destes equipamentos “estava amarrado a um ponto de ancoragem”.
Ao que o CM apurou, apenas dois trabalhadores sofreram uma queda desamparada. O terceiro conseguiu segurar-se às torres do andaime e, embora ferido, acabou por descer até ao solo pelos próprios meios.
Os trabalhos de construção foram, de imediato, interrompidos. A primeira viatura de socorro do INEM entrou no estaleiro da obra pelas 10h43, prestando os primeiros socorros aos três sinistrados.
Entre as 10h49 e as 11h00, o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa mobilizou três ambulâncias para o estaleiro da Estradas de Portugal. Só ao fim de uma hora de assistência aos feridos é que as viaturas de socorro se dirigiram para os hospitais.
O trabalhador português e o ucraniano sofreram ferimentos considerados “menos graves”. Ambos mantinham-se ontem internados no Hospital de Santa Maria com traumatismos diversos. O sinistrado da Europa de Leste poderá, no entanto, ter uma lesão mais grave na coluna vertebral.
Em estado considerado mais crítico está o trabalhador romeno. Com diversas fracturas, estava, ao final da tarde de ontem, ligado a um ventilador no Hospital de S. José.
ACIDENTE
Apesar de ainda não serem conhecidas as causas do acidente, a Estradas de Portugal reconhece que os três trabalhadores feridos não tinham os cabos de segurança devidamente presos.
PLATAFORMA
Os três trabalhadores estavam colocados numa estrutura situada a mais de dez metros
de altura.
QUEDA
Só dois sinistrados sofreram queda desamparada. O outro segurou-se ao andaime.
OUTROS CASOS
CINCO VÍTIMAS
Em Novembro de 2005, cinco trabalhadores portugueses morreram em Granada, Espanha, devido à queda de uma plataforma de cimento, de uma altura de 80 metros, nas obras de um viaduto da auto-estrada do Mediterrâneo.
PONTE DO RIO HOMEM
Dois operários morreram, no final do passado mês de Fevereiro, após caírem de uma altura de 30 metros quando trabalhavam na construção de uma ponte sobre o rio Homem, entre Terras de Bouro e Vila Verde.
SOBREVIVIEU
Um trabalhador estrangeiro sobreviveu, apenas com fracturas nos pés, a uma queda de dez metros, em Leiria, nas obras da Auto-estrada 17. O acidente ocorreu em Outubro de 2006.
45 MORTOS REGISTADOS ATÉ DIA 15
No ano passado morreram 157 pessoas em acidentes de trabalho ocorridos em Portugal, número que tem vindo a baixar desde 2004. Este ano, até ao dia 15 de Maio, já morreram 45 trabalhadores. Segundo dados da Inspecção-Geral do Trabalho, o sector da construção é responsável por perto de metade dos acidentes de trabalho com vítimas mortais. Do total registado em 2006, 71 pessoas morreram a trabalhar naquele sector. O mês do ano passado mais crítico foi o de Maio, em que morreram 26 pessoas, dez delas do sector da construção. Em 2005, morreram 169 pessoas em consequência de acidentes ocorridos durante a sua actividade profissional e no ano anterior faleceram 197. Em 2003, registou-se um total de 181 mortos. O mês de Julho de 2004 foi o pior dos últimos quatro anos, tendo morrido 29 pessoas em acidentes de trabalho. Este ano regista-se uma pequena descida em número de vítimas mortais, pois em 2006, até ao final do mês de Abril, já tinham morrido 48 pessoas.
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