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Correio da Manhã

Portugal
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Pó levantado por boi leva a homicídio com caçadeira

O pó levantado por um boi, no cercado, foi a causa aparente para um homicídio a tiro de um homem, sexta-feira à noite, em Torgueda, Montalegre. Apesar do homicida ter alegado legítima defesa, o Tribunal de Valpaços decretou a sua prisão preventiva.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Neste local consumou-se o homicídio de Joaquim Pereira, por causa do pó de um boi de chegas
Neste local consumou-se o homicídio de Joaquim Pereira, por causa do pó de um boi de chegas FOTO: Luís C. Ribeiro
Numa terra onde impera a lei do silêncio sobre tragédias como estas, pouco se diz acerca do crime, sabendo-se apenas que eram cerca das 21h00 de sexta-feira, quando Joaquim Mendes Pereira, de 34 anos, foi na companhia do sogro e de um tio passear um boi de competição das chegas, propriedade deste último.
Durante o passeio, os três homens ter-se-ão cruzado com um vizinho, Fernando Dias Luís, de 46 anos que não gostando do pó que o animal levantava no cerrado, travou-se de razões com o trio.
Não conseguindo valer pela palavra os seus argumentos, nomeadamente no sentido de ser mudada a localização do cercado do boi, Fernando Luís entrou em casa, de onde saiu empunhando uma caçadeira, com a qual desfechou, alegadamente, um único tiro contra os seus opositores. Um tiro fatal para Joaquim Pereira que, atingido em cheio no tórax, teve morte quase imediata.
Após o crime, temendo a reacção dos familiares da vítima e para não ser detido na sua aldeia natal, Fernando Luís, pôs-se a monte.
Durante toda a noite de sexta para sábado, a GNR de Montalegre desenvolveu uma operação para a captura do suspeito, sem, no entanto, conseguir resultados. Foi já na manhã de sábado que o alegado homicida acabou por se entregar de livre vontade no posto de Montalegre da GNR, sendo entregue por esta força à Polícia Judiciária que, entretanto, tomara conta da ocorrência.
Presente ao Tribunal de Valpaços, Fernando Luís alegou que agiu em legítima defesa, acusando os três homens – vítima, sogro e tio – de bateram em toda a sua família constituída por nove pessoas. Foi-lhe decretada prisão preventiva no estabelecimento Prisional de Chaves.
O suspeito e a vítima, ambos naturais de Torgueda, eram emigrantes em França.
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