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Correio da Manhã

Portugal

"Poderíamos ter morrido, foi uma família que nos salvou"

Inglês sobreviveu a tragédia em Pedrógão Grande com ajuda de populares.
Natacha Nunes Costa 18 de Junho de 2017 às 21:19
Gareth Roberts
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Carros destruídos em Pedrógão
Gareth Roberts
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Carros destruídos em Pedrógão
Gareth Roberts
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Muitos corpos foram encontrados dentro de carros. Vítimas tentavam fugir quando foram cercadas pelo fogo em Pedrógão Grande
Carros destruídos em Pedrógão

Gareth Roberts, de 36 anos, natural de Colne, em Lancashire, no Reino Unido, é um dos sobreviventes do trágico incêndio de Pedrógão Grande.

O inglês, que mora há quatro anos em Portugal, contou à BBC a sua história de sobrevivência e garantiu que se não fosse uma família da aldeia de Mó Grande não tinha sobrevivido.

"Ficamos encurralados pelo fogo quando voltávamos das férias em Cádiz, em Espanha, numa aldeia chamada Mó Grande, à saída do IC8. Fomos desviados dessa estrada por um polícia", contou Gareth Roberts adiantado que enquanto caminhavam pela "estada da morte" viam as chamas a "saltar de um vale para o outro".

 "O vento atirava os ramos contra os carros, mas não podíamos parar, sentíamos o calor dentro do veículo", disse o inglês na mesma entrevista.

"Quando chegamos a Mó Grande, começamos todos a chorar. Era muito calor e as chamas propagavam-se a grande velocidade. Estava tão escuro, tão escuro. Um homem começou a gritar para que nos refugiássemos na sua casa e foi o que fizemos. Ficamos instalados no andar de baixo onde estava mais fresco e enquanto permanecemos lá estavam sempre a chegar mais pessoas", adiantou.

"A mãe do homem colocou-nos vinho na cara, algo que teria sido bastante agradável não fossem as circunstâncias", brincou Gareth Roberts. "Chegou a um ponto que as chamas entraram pelas janelas e deitamo-nos no chão apenas a respirar, rezar e chorar. Não sou religioso, mas naquele momento não podia fazer mais nada. Cerca de uma hora depois, quando o fogo acalmou, fomos à rua e a devastação era indescritível. Não acreditava no que via. Ouvia-se explosões, estava tudo escuro e não se ouvia ninguém".

"Nessa altura não víamos as autoridades. Toda a ajuda era dos locais, não tínhamos rede de telemóvel nem internet", garantiu o inglês adiantando que se não fosse a generosidade desta família tinham morrido.

"Poderíamos ter morrido e um ato de gentiliza salvou-nos a vida. Agora o que o podemos fazer é rezar por Portugal", disse.

Após a tragédia Gareth viajou até à cidade de Tomar onde está hospedado num hotel. O incêndio impediu-o de voltar para casa onde espera regressar nos próximos dias, mas não sem antes passar em Mó Grande para agradecer à família que o salvou.

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