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PJ faz buscas no MAI, Proteção Civil e empresa Foxtrot

Um dos alvos é o gabinete do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.
Tânia Laranjo e Lusa 18 de Setembro de 2019 às 09:51
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Um dos alvos é o gabinete do secretário de Estado da Protecção Civil, José Artur Neves.
A Polícia Judiciária avançou, esta quarta-feira, para uma megaoperação de buscas no âmbito de uma investigação sobre contratos feitos pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), que está em curso no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Um dos alvos, é o gabinete do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, assim como alguns dos seus adjuntos/assessores. A Polícia Judiciária está também no Ministério da Administração Interna, pelo que apurou o Correio da Manhã. Em nota à comunicação social, o MAI confirma as buscas e diz cooperar com as autoridades.

Também a empresa Foxtrot é um dos alvos destas buscas. O polémico negócio das golas foi feito entre a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e as empresas Foxtrot Aventura, detida pelo marido de uma autarca do PS, e Brain One, cujos donos conseguiram vários contratos de adjudicação da Câmara de Arouca no período em que Artur Neves liderou esta autarquia. 

Em ambos os casos, a ANEPC adquiriu os serviços à Foxtrot Aventura e à Brain One por consulta prévia, não havendo lugar a concurso público.

Também a casa do presidente da Proteção Civil, Mourato Nunes, está a ser alvo de buscas por parte da PJ. Recorde que Mourato Nunes assinou todos os contratos do programa "Aldeia Segura".

A residência do responsável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), situada em Algés, está a ser esta quarta-feira um dos pontos alvos de buscas por parte da Polícia Judiciária.

As buscas surgem após a Investigação CM ter revelado as falhas das golas antifumo dadas à população no âmbito do projeto "Aldeia Segura".

O caso das golas antifumo levou em julho o ministro da Administração Interna a abrir um inquérito sobre a contratação de "material de sensibilização para incêndios".

Dois dias depois da decisão do ministro, o adjunto do secretário de estado da Proteção Civil demitiu-se após ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas que produziram os 'kits' de emergência que continham as golas antifumo para o programa "Aldeia Segura".

Também vários comandos distritais de operações de socorro (CDOS) estão a ser alvo de buscas.

"É uma operação que está a decorrer em todo o país e o Porto não é diferente. Estamos a colaborar", disse à Lusa o comandante de operações de socorro daquele distrito, Carlos Alves.

Nas instalações do CDOS de Faro, em Loulé, estão três inspetores da Polícia Judiciária, que chegaram ao edifício logo ao início da manhã, confirmou o comandante operacional distrital, Vítor Vaz Pinto.



"Estamos a disponibilizar tudo o que for necessário para facilitar o seu trabalho", referiu o responsável, sublinhando que estão "de portas abertas" e facilitarão o acesso das autoridades a toda a documentação que lhes for solicitada.

Em Coimbra, fonte ligada ao processo confirmou buscas no âmbito do "Aldeia Segura", referindo que está a ser realizada uma verificação de documentos.

Outras fontes da Proteção Civil indicaram também que há buscas no CDOS de Portalegre e de Beja. Neste caso, desde cerca das 09:30 que uma equipa da Polícia Judiciária está reunida com o comandante operacional distrital.

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