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Correio da Manhã

Portugal
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Polícia ajuda família a reencontrar o filho

Um homem dado como desaparecido há quase sete anos, reencontrou-se com a família, fruto da persistência e altruísmo do agente Antunes, da PSP de Abrantes. O sem-abrigo não falava nem tinha documentos. Mas o polícia comoveu-se com o caso, investigou e conseguiu devolver a felicidade a uma família que já tinha perdido a esperança de encontrar o filho com vida.
17 de Março de 2007 às 00:00
“Foi o caso que mais me tocou até agora”, confessou ontem o operacional da Equipa de Proximidade de Apoio à Vítima.
A história com final feliz começou na manhã de dia 8. O agente Joaquim Antunes patrulhava uma das ruas da cidade de Abrantes quando foi alertado por moradores para a presença de um desconhecido, com aspecto de mendigo. Fez a abordagem, mas como resposta obteve apenas o silêncio e a apatia. “Parecia um morto vivo. Não falava, estava muito sujo e a precisar de cuidados básicos de higiene”, recorda o polícia.
Depois de uma passagem infrutífera pela esquadra, o agente levou o jovem ao hospital. Os médicos observaram-no, mas o máximo que conseguiram foi ouvi-lo dizer que queria sair dali.
Em desespero, o polícia deu-lhe um papel e uma caneta e pediu-lhe para escrever o nome dele e da família. A persistência resultou. O jovem identificou-se como sendo João Paulo Madeiras, de 28 anos, e revelou o nome do pai. Com a ajuda de uma assistente social, o agente Antunes entrou em contacto com os familiares e, no mesmo dia, deu-se o reencontro, na esquadra da PSP de Abrantes.
“Foi comovente. Eles reconheceram-se logo e tive que me desviar um bocadinho. Afinal, também sou humano”, disse o polícia ao CM. Para o subcomissário Arlindo Igreja, gestor do programa de Proximidade de Apoio à Vítima em Abrantes, este caso motiva os agentes e demonstra a utilidade deste conceito de segurança.
Quando recorda o telefonema do agente Antunes, o pai de João Paulo, Luís Madeiras, não poupa elogios ao gesto do polícia. Emocionado, lembra que “foi a única pessoa a deitar-lhe a mão e a interessar--se” por João Paulo Madeiras. “Já falámos várias vezes e agradeci-lhe imenso”, diz o taxista. Até porque, apesar da esperança, os dias de incerteza tinham-se já tornado momentos de desalento: “Fiquei sempre na expectativa, chorando muitas vezes, acreditando outras.”
Internado no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, para ser acompanhado na recuperação, o futuro de João Madeiras é incerto. E uma enorme angústia para o pai, que lamenta: “O que mais me custa é saber que ele passou sete anos ao ar livre, sem ajuda e agora também não sei se vou ter dinheiro para o poder recuperar.”
João Paulo Madeiras estava dado como desaparecido desde Junho de 2000. O pai andou durante anos com uma fotografia do filho no táxi, que mostrava aos clientes. Apresentou queixa na Polícia Judiciária e chegou a contactar as autoridades espanholas, na esperança de descobrir o paradeiro do filho.
Quando a fé já rareava, surgiu o telefonema do agente Antunes a dar conta, que afinal, João Paulo estava vivo. Apesar do papel decisivo que teve no reencontro, o polícia dispensa louvores. “A minha missão é servir o País e a comunidade. Outro colega faria exactamente o mesmo.”
PERFIL
Joaquim Antunes, de 37 anos, está ao serviço da PSP desde 1992. É um dos quatro agentes destacados na Equipa de Proximidade de Apoio à Vítima, que patrulha as ruas da cidade de Abrantes e está em contacto permanente com os moradores e comerciantes.
"SENTI UMA EMOÇÃO ENORME QUANDO O VI"
“Quando me vem à cabeça a imagem daquele dia os olhos enchem-se-me de lágrimas.” Luís Madeiras tinha já perdido a esperança até surgir o telefonema do agente Antunes. “Senti uma emoção enorme quando vi o meu filho”, confessa o taxista. Mas o coração está ainda coberto de mágoa. Quando visita João no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, onde está internado, a tristeza não o larga. “Ele conversa muito pouco, diz uma ou outra palavra. Vê-se que viveu numa solidão muito grande, está completamente desintegrado da sociedade.”
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