Depois do episódio da Covilhã, em Outubro de 2007, em que polícias foram às instalações de um sindicato de professores em véspera de visita de José Sócrates, que obrigou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, a explicar-se no Parlamento, agentes da PSP voltaram a querer saber quantos professores vão protestar contra o Governo.
Dois agentes da PSP, à civil, foram ontem à escola Secundária e EB 2/3 Afonso IV, em Ourém, para saber quantos docentes vão à manifestação de amanhã, em Lisboa. “Alegaram que tinham ordens superiores e que tinha a ver com a concentração de trânsito em Lisboa”, disse à Lusa fonte do conselho executivo da Escola Secundária de Ourém.
Foi uma iniciativa da direcção nacional da PSP, explicada em comunicado ontem à noite: “Dada a necessidade de garantir a segurança das pessoas, o fluxo de trânsito, bem como garantir que o direito de manifestação decorresse de harmonia com o constitucionalmente estabelecido, foi solicitado a todos os Comandos da PSP para que obtivessem dados relacionados com o número estimado de pessoas a deslocar-se à cidade de Lisboa, o número de autocarros envolvidos no seu transporte e horários previstos de chegada.”
Horas antes, o comando distrital da PSP de Santarém prometera abrir um processo de averiguações. “Achamos muito estranho que alguém tenha feito esse tipo de disparate”, disse um porta-voz.
Quem não gostou da visita foram os dirigentes sindicais. Mário Nogueira, secretário--geral da Fen-prof, classificou o sucedido de “muito estranho e pidesco”, acrescentando que ontem houve uma reunião entre a Fenprof e a PSP, justamente para “resolver questões de trânsito”. Já o presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, João Dias da Silva, classificou a situação de “inaceitável”. Os sindicatos estimam em mais de 600 os autocarros que vão amanhã a Lisboa. O protesto começa às 14h30, no alto do Parque Eduardo VII.
Os protestos prosseguiram ontem, desta vez em Santarém e Portimão. Na capital ribatejana 150 docentes esperaram em vão pela ministra. A presença de Maria de Lurdes Rodrigues constava do programa de um congresso organizado pela Câmara de Santarém. Na abertura do encontro, Moita Flores explicou que a governante tinha “mostrado disponibilidade para participar” mas faltou “por afazeres profissionais”.
Ao CM, fonte do gabinete da ministra disse que “nunca esteve prevista” a ida. “Não tem coragem para enfrentar os professores”, contrapôs o sindicalista João Paulo Videira.
Em Portimão foram 1500 os docentes que exigiram a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues.
Tal como no Estatuto da Carreira Docente, Ministério da Educação dá respostas às dúvidas mais frequentes.
SAI FICHA POLÉMICA
A presidente do Agrupamento de Escolas Correia Mateus, Leiria, retirou a polémica ficha de avaliação da escola, alvo de críticas pelo Bloco de Esquerda. A ficha em causa possuía um item em que os professores eram avaliados pela forma como verbalizavam a sua satisfação ou insatisfação em relação ao modelo de ensino. O Ministério da Educação vai negociar com a Fenprof, terça-feira, as fichas de avaliação, em processo de negociação suplementar.
CDS QUER ALTERAÇÕES
O CDS-PP entregou ontem no Parlamento um projecto de resolução, onde sugere ao Governo a suspensão do processo de avaliação dos professores e a alteração dos mecanismos de avaliação para o próximo ano lectivo.
NOTAS DOS ALUNOS PESAM 6,5 POR CENTO
Os resultados escolares dos alunos vão ter um peso de 6,5 por cento na classificação final da avaliação de desempenho dos professores. Num documento intitulado ‘Perguntas Frequentes sobre Avaliação de Desempenho de Professores’, o Ministério da Educação afirma que “o progresso escolar dos alunos é apenas um critério de avaliação a par de muitos outros, tendo uma ponderação de apenas 6,5 por cento no total das duas fichas de avaliação”. A tutela realça que as notas dos alunos não vão ser inflacionadas, pois “não são as notas que contam, mas sim os progressos observados”.
No documento, assinala-se que não faz sentido adiar o processo de avaliação, pois “as escolas iniciaram já o trabalho de elaboração de instrumentos”. Ainda segundo o Ministério da Educação, cada professor avaliador avalia, “no máximo, 12 professores no caso dos 2.º e 3.º Ciclos e Secundário e sete professores no 1.º Ciclo do Ensino Básico”. O Ministério da Educação nega ainda que não tenha existido negociação com os sindicatos.
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