Os pais mantêm viva a esperança de encontrarem aquele filho cujo rasto perderam um dia. Filomena Teixeira é disso exemplo. Personifica a luta incansável de uma mãe que aguarda dia após dia, ano após ano, o regresso de Rui Pedro. O filho, que viu pela última vez em 1998 será agora um jovem adulto de 19 anos.
“O projecto da minha vida é encontrar o meu filho. Os médicos dizem-me para não pensar nisso, mas o meu cérebro está sempre lá. É como o coração que não pára de bater.”
Filomena Teixeira não está sozinha nesta batalha penosa. Tal como ela, outras mães e outros pais recordam hoje – Dia Internacional das Crianças Desaparecidas – com maior intensidade aquele momento. Uma data que Portugal assinala desde 2002, mas que acabou por cair no esquecimento, não estando prevista nenhuma iniciativa oficial para hoje.
Apesar do alheamento das autoridades, as famílias clamam por resultados e esses estão a cargo da Brigada de Investigação e Averiguação de Desaparecidos da Polícia Judiciária.
Neste momento está em investigação o desaparecimento de 20 menores, cujo rasto se perdeu na área da Grande Lisboa já este ano. À lista somam-se os oito menores que a PJ não conseguiu encontrar em 2005.
Além destes há seis desaparecidos que as autoridades não conseguem localizar há mais de uma década.
MOTIVOS
A maior parte dos desaparecimentos não está ligada a condutas criminosas, dependendo, sobretudo, do contexto familiar das motivações e das idades dos menores. Por exemplo, o final do ano lectivo é propício a algumas fugas relacionadas com o aproveitamento escolar.
Alexandra Simões, do SOS Criança, sublinha que desde o início, em 2004, na linha telefónica gratuita 1410 (destinada a casos de menores desaparecidos) foram registadas 53 situações.
A psicóloga sublinha que “a maior parte das crianças são encontradas, estando os desaparecimento relacionados com fugas. “Há muitos jovens que comunicam às autoridades que não querem voltar para a família onde são vítimas de violência.”
A coordenadora em Portugal do ‘site’ europeu para crianças desaparecidas ‘Childoscope’ precisa que, das cinco situações assinaladas este ano, uma foi a de um menino colhido mortalmente por um comboio.
Três outros casos, incluindo o de Telma, de 15 anos, que sábado passado regressou a casa, em Lisboa, já estão solucionados. “Por resolver”, sublinha, permanece o desaparecimento de Rita Slof Monteiro.
A mãe de Rui Pedro conhece muito bem esta situação. Sempre que há uma pista, uma fotografia, vai a todo o lado. “Já procurei ajuda de todas as maneiras, desde videntes a cientistas”, diz, revelando-se uma mulher corajosa, mas frágil e doente. A busca do filho já levou Filomena Teixeira a pedir ajuda na área da psiquiatria.
DOIS CASOS SEM RASTO
A 17 de Fevereiro último, na região Norte, ocorreram dois desaparecimentos. Um deles envolveu uma bebé, então com três dias, a que os pais chamam Elisabete. A Polícia suspeita que tenha sido raptada do Hospital de Penafiel.
O segundo caso deste ano que permanece por esclarecer é o de Rita Slof Monteiro, de 18 anos. Com cabelos compridos castanhos e olhos também castanhos, morava em Leça da Palmeira. Desapareceu pelas 09h00 daquele dia. O pai, Luís Monteiro, apela a quem tenha informações sobre a filha, que sofre de esquizofrenia, para o contactar para o telemóvel número 939 721 692.
UNIÃO EUROPEIA LANÇA NÚMERO 116
A Comissão Europeia quer criar um número de telefone único, o 116, que servirá especificamente para centralizar a informação sobre crianças desaparecidas e exploradas sexualmente.
O anúncio foi feito pelo Comissário Europeu da Segurança, Liberdade e Justiça, Franco Frattini, a propósito do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, que hoje se assinala. “Um número de telefone único permitiria aos pais, às testemunhas e às crianças o acesso rápido a um serviço de ajuda”, entende o comissário. Frattini realça alguns casos preocupantes, como o de Itália, onde em 2005 desapareceram 1850 menores, e a Bélgica, onde foram registados 1022 desaparecimentos.
A Comissão Europeia assinala o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas adoptando por símbolo a flor de miosótis, que é conhecida em inglês por ‘forget me not’ (não te esqueças de mim).
PERCURSOS
- Não andes sozinho nem com os teus amigos por ruas desertas ou descampados, mesmo que seja mais perto.
DINHEIRO
- Não tragas contigo muito dinheiro nem objectos valiosos (relógios, fios de ouro).
CUIDADO
- Recusa-te sempre a entrar em automóveis de desconhecidos, sob que pretexto for.
OFERTAS
- Não aceites guloseimas, rebuçados, pastilhas elásticas, tabaco, etc., que te ofereçam pessoas que não conheces. Afasta-te dos desconhecidos.
AJUDA
- Se te encontrares em dificuldades, telefona para o 112 e, se puderes, dirige-te à esquadra mais próxima. Se fores agarrado, grita o mais alto que puderes e tenta fugir.
CASA
- Se te encontrares só em casa não abras a porta a ninguém, a não ser que seja de absoluta confiança.
LOCALIZAÇÃO
- Se te perderes dos teus pais não te afastes do lugar. Será mais fácil a tua localização. Não vás com ninguém e fala com um segurança ou um polícia. Procura decorar a tua morada e telefone.
INFORMAÇÃO
- Não forneças dados da tua família ou da tua casa a pessoas desconhecidas.
- Tenha atenção às quebras na rotina diária do seu filho.
- O mesmo em relação às alterações de comportamento.
- O computador não é o único nem o melhor amigo do seu filho.
- Os ‘amigos on-line’ são, na realidade, completamente estranhos.
- Garanta que os menores não divulguem informação pessoais.
- A internet mal utilizada é espaço privilegiado para ofertas enganosas e aliciamento encoberto.
- Em caso de suspeita salvaguarde todos os elementos relativos à proveniência e conteúdo dos contactos.
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