Família de Edir Frederico da Costa, de 25 anos, alega que o jovem foi vítima da violência dos agentes.
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Cinco agentes da polícia britânica poderão ser acusados de conduta indevida durante a operação que resultou na morte do jovem português Edir Frederico da Costa em Londres, informou esta terça-feira a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC).
Conhecido pelos próximos como Edson, o jovem de 25 anos morreu a 21 de junho no hospital de Newham, depois de vários dias internado.
A família do português, residente no Reino Unido desde 1996, alega que o jovem foi vítima de violência dos agentes que tentaram prender em 15 de junho, durante uma operação policial.
Seguindo os procedimentos neste tipo de casos em que há consequências e suspeitas graves sobre a intervenção da polícia, a IPCC abriu na altura um inquérito ao caso e esta terça-feira anunciou que vai notificar formalmente cinco agentes da Polícia Metropolitana [Metropolitan Police Service].
Em causa está uma potencial conduta indevida [misconduct] ao nível da assistência dada a Edson Costa durante a imobilização e depois que ele ter ficado indisposto.
"A IPCC agora está a investigar essa potencial conduta indevida - no entanto, a notificação de negligência dos agentes não indica culpa, nem significa que se siga um processo por conduta indevida", frisa o comunicado.
Uma acusação de conduta indevida, dependendo se o agente é responsável por negligência dos seus deveres ou por ter cometido uma irregularidade de forma intencional, pode resultar em processo disciplinar ou num processo crime.
A família reagiu de forma positiva ao anúncio de possíveis processos por conduta indevida, mas quer que seja libertada mais informação.
"A nossa principal preocupação está em estabelecer se existem algumas provas de falhas da parte da polícia na morte do Edson. Esperamos que a investigação da IPCC seja abrangente e rigorosa", afirmou, numa declaração enviada à agência Lusa.
Tom Milsom, comissário adjunto da IPCC, disse estar consciente da inquietação causada pelas circunstâncias da morte de Edson Costa.
"Além de fornecer atualizações regulares à família e de comunicar com os agentes envolvidos, quando for apropriado informaremos a comunidade em geral sobre o progresso de nossa investigação independente", prometeu.
Desde a abertura da investigação, adiantou, foram recolhidas declarações de testemunhas chave, incluindo agentes policiais, pessoal médico e civis, assim como vídeos, incluindo as imagens de vídeo capturadas pelas câmaras de corpo durante os primeiros socorros administrados ao português.
Porém, referiu que o médico legista ainda não apurou a causa da morte nem revelou os resultados da análise ao conteúdo de várias cápsulas retiradas da garganta do português.
Numa primeira fase, a IPCC Indicou que a autópsia preliminar não tinha encontrado fraturas no pescoço, lesões na coluna ou hemorragia cerebral que indicassem o uso de força excessiva.
Mas vários elementos da família denunciaram suspeita de violência policial devido ao estado em que o jovem foi internado no hospital e testemunhos dos dois amigos que acompanhavam Edson na noite de 15 de junho.
Ginário da Costa contou à agência Lusa o filho foi pulverizado a curta distância na cara com gás lacrimogéneo CS pelos agentes e depois imobilizado no chão por dois polícias durante vários minutos.
Só quando se aperceberem de que o português estava inconsciente é que chamaram os serviços de emergência.
No hospital, o inchaço visível nos olhos e no pescoço alimentaram a suspeição de que Edson teria sido alvo de excesso de violência, disse o pai.
A 25 de junho, uma manifestação contra o incidente resultou em confrontos com a polícia e distúrbios na zona de Forest Gate, com o atear de caixotes de lixo e arremesso de pedras, causando 14 polícias feridos e resultaram em cinco detenções
A família do jovem português lançou uma campanha que pretende fazer um apelo ao 'Mayor' de Londres, Sadiq Khan, para suspender os agentes envolvidos e ajudar no esclarecimento das circunstâncias da morte.
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