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Correio da Manhã

Portugal
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Polícias em curso perdem dinheiro

Os 326 agentes da PSP que estão há mais de três meses no 3.º Curso de Formação de Subchefes, na Escola prática de Polícia, em Torres Novas, viram cortados do ordenado os subsídios de patrulha, turno e o de alimentação. Estão a viver como menos 250 euros por mês e há quem esteja a adiar o pagamento dos infantários dos filhos.
1 de Maio de 2005 às 00:00
Os agentes que frequentam o curso de subchefes são prejudicados no salário – ganham menos
Os agentes que frequentam o curso de subchefes são prejudicados no salário – ganham menos FOTO: Carlos Ferreira
A estes agentes foram prometidas ajudas de custo: 1250 euros no início do curso, em Janeiro, e outro tanto no final, em Outubro. Ainda não viram a cor do dinheiro.
Segundo soube o CM junto de alguns agentes nesta situação, um despacho da Direcção Nacional da PSP, assinado pelo então director nacional, o juiz desembargador Mário Morgado, salvaguardava os polícias nesta situação – frequência de cursos de formação e valorização da carreira.
Esses agentes ficariam com os subsídios a que têm direito quando trabalham nas esquadras (que totalizam cerca de 250 euros). Se tal não fosse possível acontecer teria direito a ajudas de custo que consistiam num cheque de 1250 euros no início do curso e outro de igual valor para os que chegassem ao fim, nove meses depois, com aproveitamento.
A verdade é que, mais de três meses depois do início do curso que actualmente está a decorrer na Escola Prática de Polícia de Torres Novas – as aulas tiveram início a 24 de Janeiro – os agentes que lá estão (vindos de todo o País) viram desaparecer-lhes da folha de ordenado os 250 euros dos subsídios e não receberam qualquer ajuda de custo.
“Estamos a viver com um ordenado de 600 euros. Há agentes que têm as mulheres desempregadas e estão com grandes dificuldades. Alguns já tiveram de pedir aos infantários onde têm os filhos para adiar o pagamento das mensalidades e outros nem a renda de casa conseguem cumprir”, disse ao CM um agente que frequenta o curso.
Contactada pelo nosso jornal, fonte das relações públicas da Direcção Nacional da PSP assegurou que a situação será resolvida a curto prazo. A verdade é que com os ordenados de Abril nada veio.
400 EUROS EM LIVROS
Se não bastasse ficarem sem 250 euros no ordenado, os agentes que estão a frequentar o 3.º Curso de Formação de Subchefes da PSP ainda tiveram de pagar do seu bolso várias despesas de material essencial para as aulas. Entre estas incluem-se cerca de 400 euros despendidos nos livros para as aulas.
“Além disso, ainda há as deslocações semanais de vários pontos do País até Torres Novas”, referem os alunos.
Perante as dificuldades em que estão colocados, há já diversos agentes que estão a ponderar abandonar o curso. “A aflição é tanta que chegámos à conclusão que é mais vantajoso sair do curso e regressar às esquadras, recuperando o dinheiro recebido nos diversos subsídios que nos retiraram”, afiançam.
Mais preocupados ficaram os agentes ao ouvir o ministro da Administração Interna, na Assembleia da República, referir as dificuldades financeiras que o sector atravessa. “Se não há dinheiro para coisas mais importantes que nós, como o equipamento para as esquadras, como é que podemos ter esperança em ver o nosso problema resolvido?”, questionam. O curso de formação de subchefes prolonga-se até final de Setembro, início de Outubro. Até lá, 326 homens e mulheres da PSP, e as suas famílias, vão viver angustiados.
PORMENORES DO CASO
ALIMENTAÇÃO
Os agentes até aceitam que lhes tenha sido retirado o subsídio de alimentação, afinal a mesma é-lhes fornecida gratuitamente na cantina da Escola Prática de Polícia.
PROMESSA
Há agentes que apenas aceitaram realizar o curso porque lhes foi prometido, pela Direcção Nacional da PSP, o pagamento das ajudas de custo ou a manutenção dos subsídios.
ÁREAS
O curso divide-se pelas áreas técnico-policial (340 horas de aulas), jurídica (260 horas), geral (200 horas), psicossocial (160 horas), física (70 horas e diversos (20 horas).
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