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Correio da Manhã

Portugal
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POLÍCIAS FORAM FINTADOS

Os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) que participaram, na noite de 14 de Outubro de 2001, na primeira tentativa de intercepção da lancha rápida utilizada pela rede de tráfico de droga, que está a ser julgada na Universidade do Algarve, em Faro, só identificaram a embarcação após o descarregamento dos 1400 quilos de haxixe, na margem espanhola do rio Guadiana.
29 de Janeiro de 2003 às 01:25
A falta de visibilidade registada nessa noite permitiu a fuga da embarcação, reconheceram ontem, ao colectivo, três dos inspectores arrolados como testemunhas, que participaram na operação montada junto à barra do Guadiana e desencadeada em simultâneo pela PJ e Guardia Civil de Espanha.

Devido à fuga, os tripulantes da lancha, Angelo Marigliano, Ferdinando de Crescenzo e Carlos Fernandez, só foram detidos no dia seguinte quando regressavam ao Clube Náutico de Tavira, onde a embarcação estava registada pelo grupo chefiado por Lúcio Morrone, responsável pelo transporte da droga de Marrocos até Espanha.

O testemunho foi ao encontro da tese da Acusação elaborada pelo Ministério Público, no âmbito do processo em que estão pronunciados 21 arguidos de seis nacionalidades pelos crimes de tráfico de droga e de associação criminosa.

Dominado por questões técnicas sobre a potência e “barulho” produzido pelos motores da embarcação, o testemunho de Paulo Gil, Bernardo Guerreiro e Ricardo Brito, revelou que a lancha só foi identificada quando regressava ao mar, após o descarregamento da droga. Altura em que os operacionais da PJ foram surpreendidos pela presença da Polícia espanhola, que seguiam os movimentos dos traficantes, com um helicóptero e um barco-patrulha. Apesar de aliarem esforços para “abalroar” a lancha, as duas Polícias acabaram por abortar a operação nessa noite.

As referidas “dificuldades” registadas no terreno pelos agentes, foram exploradas pela Defesa, que persistiu no facto da lancha não ter sido identificada à entrada da barra, antes do descarregamento do haxixe.

DIFERENÇA

‘BRONZE’

As testemunhas de Acusação não reconheceram a esmagadora maioria dos 21 arguidos. O problema, alegam, é a “diferença de tez” ostentada pelos réus, pois na altura das detenções “estavam bronzeados”, o que actualmente não se verifica porque estão encarcerados há um ano e três meses.

POLIGLOTAS

“Parece um curso de línguas, mas não é.” A frase espirituosa foi pronunciada ontem pelo juiz Jorge Antunes, presidente do colectivo, após a tradução dos depoimentos das testemunhas. Cinco profissionais asseguram, ao longo da audiência, a explicação dos mesmos aos arguidos, em italiano, árabe, alemão, holandês e castelhano.

PROLONGAMENTO

O elevado número de arguidos, testemunhas e advogados de Defesa envolvidos no processo obrigaram ao prolongamento das sessões do julgamento. Hoje a audiência prosseguirá com o depoimento das restantes testemunhas, estando prevista para o dia 19 de Fevereiro a apresentação das alegações finais da Defesa.
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