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Correio da Manhã

Portugal
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Polícias presos não sabem quando mudam de cadeia

Ainda não foi ontem que os 26 reclusos do Estabelecimento Prisional de Santarém (EPS) foram transferidos para Évora. Apesar de terminar hoje o prazo para o esvaziamento da prisão dos polícias, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) já determinou que os detidos só serão informados da transferência duas horas antes.
9 de Fevereiro de 2008 às 00:30
A incerteza sobre o futuro continua a marcar o quotidiano dos reclusos do EPS. Três mantêm-se em greve de fome, tendo 22 outros feito ontem ‘levantamento de rancho’ em solidariedade. Apenas um recluso se apresentou para tomar as três refeições. “É um militar da GNR a poucos dias de concluir a pena”, disse ao CM fonte prisional. A DGSP reconhece apenas três reclusos em greve de fome. “Os outros juntaram--se em solidariedade, mas não se sabe se têm comida na cela como é normal”, esclareceu fonte prisional.
Por esclarecer está também a transferência dos guardas prisionais da EPS. O CM apurou que, no início desta semana, se realizou uma reunião entre a DGSP e o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), tendo ficado acordado que a maioria dos 38 guardas irão para as cadeias de Alcoentre e Vale de Judeus, as duas mais próximas de Santarém. Recorde-se que os guardas temiam ser transferidos também para Évora, situação que colocaria transtornos familiares por causa da distância. Mesmo a transferência dos guardas para Vale de Judeus está dependente de seis elementos dos Açores e Madeira, que já pediram para serem colocados nas cadeias dos respectivos arquipélagos.
Receosos com a transferência dos reclusos estão também os familiares. O CM apurou que amanhã, caso a situação se mantenha, haverá uma vigília à porta da cadeia. O protesto está agendado para a hora das visitas, que se realizam das 09h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30.
SEM ALTERNATIVA A ÉVORA
Caso o Tribunal Administrativo de Leiria defira a providência cautelar interposta pelos 25 reclusos do EPS após a transferência destes para a cadeia de Évora, terá de existir um período de espera até regressarem a Santarém. Adriano Barbosa, advogado dos 25 reclusos, disse ao CM que a aceitação da providência cautelar significará, em primeira instância, “o reconhecimento de que o EPS deve manter-se como um estabelecimento prisional destinado às forças de segurança”. Só numa segunda fase é que o causídico afirma poder apresentar um pedido ao tribunal para que os 25 reclusos regressem ao EPS. Até lá, não existem muitas alternativas para os detidos. “Quando a DGSP comunicar que a transferência para a Évora irá ser realizada, os meus clientes não terão outra alternativa que não ir”, referiu.
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