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Correio da Manhã

Portugal
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Polis revoluciona ligação da população ao rio Lis

Ler um livro num sofá, fazer um piquenique num tapete de relva, tomar uma bebida ao balcão ou andar de baloiço é agora possível em pleno rio Lis, em Leiria, numa das pontes temáticas construídas no âmbito do Programa Polis. As obras são inauguradas hoje, às 15h30, pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que há sete anos presidiu ao lançamento do programa, enquanto ministro do Ambiente.
29 de Agosto de 2007 às 00:00
O Polis de Leiria implicou um investimento de 40 milhões de euros e valorizou a ligação do rio à cidade
O Polis de Leiria implicou um investimento de 40 milhões de euros e valorizou a ligação do rio à cidade FOTO: Ricardo Graça
Designada por ‘Sistema Rio’, a intervenção teve como objectivo requalificar de forma integrada o Lis e as suas margens, ‘devolvendo-o’ à cidade e convertendo espaços outrora degradados em zonas verdes e de lazer, onde a população pode voltar a apreciar e a desfrutar do rio, cruzando as margens numa das originais pontes pedonais.
“As pontes temáticas completam, de uma forma original e criativa, essa vivência do rio, que outrora estava obstruído e degradado e que agora se apresenta despoluído no troço que atravessa a cidade”, explica Isabel Damasceno, presidente da Câmara Municipal de Leiria, chamando também a atenção para as ciclovias, com um percurso a rondar os doze quilómetros.
Outra inovação foi a construção do parque radical, há muito tempo ambicionado por uma larga maioria de jovens praticantes de desportos radicais que colaborara com os projectistas na escolha dos equipamentos mais adequados.
Na mesma zona, mas na outra margem do rio, surgiu o novo complexo de ténis, com campos cobertos e descobertos e vários tipos de piso.
Já no centro histórico, o Programa Polis contribuiu para a reabilitação de praças, largos e ruas onde agora se pode caminhar, deixando o carro num dos três parques subterrâneos, que oferecem 870 lugares de estacionamento pago.
Na opinião de Isabel Damasceno, a intervenção revelou-se “um enorme sucesso”, desde logo por “incrementar de forma decisiva a qualidade de vida na cidade: os leirienses têm demonstrado a sua vocação para o trabalho. Por isso, precisam de espaços de lazer e de descompressão”, explicou.
Os parques e as áreas verdes estão embelezados e convidativos para passeios em família, surgiram espaços de apoio, como cafés, e foi criado um Centro de Interpretação Ambiental, num local antes pouco frequentado, devido à existência da Casa Mortuária, agora situada junto do cemitério. Ao lado, na periferia do Jardim de Santo Agostinho, fica o Moinho de Papel. A obra está na fase final e o projecto de reabilitação do primeiro moinho de fabricação de papel em Portugal, construído há seis séculos, tem assinatura do arquitecto Siza Vieira.
INVESTIMENTO GLOBAL É DE 1,2 MIL MILHÕES DE EUROS
Das 39 cidades com obras resultantes do Polis, nove já concluíram os trabalhos e outras nove se seguirão este ano. Em 2008, ano em que termina o III Quadro Comunitário de Apoio – que financia o programa –, ficarão concluídas quase todas as intervenções, com excepção da Costa de Caparica, cujo projecto esteve parado e só tomou fôlego no fim do ano passado, pelo que haverá obras até 2012. A nível nacional, o programa Polis envolve um investimento de 1,2 mil milhões de euros e sete anos depois do lançamento, a taxa de execução é de 65 por cento. No total serão qualificados 2,380 milhões de m2 de espaços públicos, criados 110 mil metros de ciclovias, 236 mil metros de percursos pedonais, 3,780 milhões de m2 de zonas verdes e parqueamento dissuasor para 24 582 carros. O Polis XXI, que será o sucessor do actual, ainda não tem capital definido e envolve três componentes: regeneração urbana, redes urbanas para a competitividade e inovação para desenvolver o meio urbano.
“REDUÇÃO DE VERBAS NÃO AFECTOU”: José Pinto Leite, coordenador nacional do Polis
CM – O que realça da intervenção do Polis em Leiria?
José Pinto Leite – Leiria é um caso típico da valorização que o Polis quis implementar: tem um rio que atravessa a cidade, que estava ao abandono, tendo agora sido posto ao serviço da população, através da criação de ciclovias e de pontes pedonais. Tem como originalidade a colocação de pontes temáticas a unir as duas margens.
– A redução de verbas não prejudicou o programa?
– Houve uma redução – de 54,7 para 40 milhões de euros –, mas não comprometeu os objectivos iniciais, por não se ter feito um túnel, que iria custar 15 milhões de euros.
– Que benefícios trouxe para a população?
– Em Leiria, como nas outras cidades, o melhor indicador da utilidade do programa é a aderência das pessoas: nota-se que se apropriaram dos novos espaços ainda antes da conclusão das obras e aproveitaram-nos de imediato, porque estavam com sede de locais onde pudessem correr, caminhar, andar de bicicleta.
– Ainda há no País muitos projectos por concluir?
– O grosso das intervenções estará concluído em 2008.
– Como será o sucessor?
– O Polis XXI terá objectivos diferentes na substância e na forma, pois pretende intervir não só nos centros das cidades, mas também nas periferias e criar as redes de cidades.
SAIBA MAIS
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Milhões de euros é o investimento global da intervenção do Programa Polis em Leiria, designada por ‘Sistema Rio’. As obras foram agrupadas em quatro planos de pormenor.
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Pontes, das quais nove de uso exclusivo de peões, foram colocadas no rio Lis, no troço que atravessa a cidade. A intervenção engloba uma área de 119 hectares.
REABILITAÇÃO
Ultrapassa os 285 mil metros quadrados a área de criação e requalificação de espaço público e de criação e beneficiação de parques e zonas verdes.
DEMOLIÇÃO
Para construir o Centro de Interpretação Ambiental, que ocupa 384 metros quadrados, foi demolida a Casa Mortuária, o que atraiu mais pessoas para a zona.
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