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Pólo Norte é destino das cartas

O Diogo quer uma consola mas a Joana prefere uma boneca; o João pede um carro e a Marta gostava de ter um irmão, enquanto os meninos de um infantário no Centro do País pedem Paz e Amor para toda a gente. Estes são alguns exemplos dos pedidos das cerca de 300 mil crianças portuguesas que escrevem ao Pai Natal.<br/><br/>

15 de dezembro de 2008 às 00:30

A central dos CTT de Cabo Ruivo (Lisboa) não tem mãos a medir com as cartas que recebe entre Novembro e Janeiro. Mas todas têm resposta: "Recebemos em média 20 mil cartas por dia. Quando nos enviam a morada, respondemos", afirma ao CM Luís Andrade, director de Comunicação dos Correios.

"As crianças enviam os pedidos, com desenhos, rebuçados e chupetas. Em 2007 decorámos uma árvore de Natal apenas com chuchas porque só um colégio mandou mais de 200 chupetas, fora as que as crianças enviam individualmente", conta ao CM Elsa Ferreira, coordenadora há vários anos das Cartas ao Pai Natal.

Esta iniciativa nasceu em 1985 e a adesão foi imediata. "Em 2000 contabilizámos 146 800 cartas, este ano vamos receber o dobro", garante Luís Andrade.

Muitas crianças referem nas singelas folhas de papel que escrevem que vão deixar leite e bolachas em cima da mesa para o Pai Natal. "Às vezes mandam lenços de papel para o caso de o Pai Natal querer chorar ou se se constipar", sublinha Elsa Ferreira.

Nas caixas das cartas compiladas em Cabo Ruivo, desfilam os mais curiosos envelopes: com selo, sem selo, brancos, com desenhos ou colagens, de correio azul, de correio verde. "Também chegam cartas registadas para os pais terem a certeza absoluta de que chegam", brinca Elsa Ferreira.

Quando não sabem escrever, os mais novos fazem colagens e enviam ao Pai Natal; recortam os brinquedos que querem dos catálogos e põem no marco do correio.

Para dar resposta a tanta azáfama, os CTT contratam pessoal unicamente para este período.

APONTAMENTOS

MORADIAS

Os mais novos dirigem as cartas à ‘Rua das Estrelas’, ‘Aldeia do Pai Natal’, ‘Rua dos Sonhos’, ‘Rua das Prendas’ ou simplesmente ao ‘Pai Natal do Pólo Norte’.

DOCUMENTOS

Uma criança pequena enviou uma carta com os seus pedidos de Natal e anexou vários documentos do pai, incluindo cartões de crédito. Os CTT estão a tentar localizar o ‘lesado’ para lhe devolverem a documentação.

ENVELOPES

Os miúdos que já sabem escrever, muitas vezes enviam a sua mensagem em envelopes que encontram em casa, nomeadamente da EDP, EPAL, Cabovisão.

6 MILHÕES DE CARTAS

A central de Cabo Ruivo lida diariamente com seis milhões de cartas, entre simples missivas e encomendas. Entre Novembro e Dezembro, o número sobe para os sete milhões e meio de objectos tratados todos os dias.

"CRIANÇAS TÊM MUITA CRIATIVIDADE" (Luís Andrade, Director Comunicação CTT)

Correio da Manhã – Quantas missivas dirigidas ao Pai Natal é que os CTT recebem?

Luís Andrade – Este ano esperamos receber cerca de 300 mil cartas, mais 30 mil do que em 2007.

– Porque é que há tantas escolas a enviarem pedidos?

– As escolas organizam-se e até incentivam a imaginação. As crianças têm de facto muita criatividade.

– Que idade têm as pessoas que escrevem?

– Geralmente são crianças, mas temos casos de adultos e até idosos que escrevem.

– E o que é que os CTT fazem nesses casos?

– Todas as cartas cuja morada do remetente seja perceptível recebem uma carta nossa e uma lembrança, independentemente da idade de quem escreve.

– Algumas cartas chegam do estrangeiro.

– Recebemos muitas das crianças das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo e todas elas recebem resposta.

 

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