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Correio da Manhã

Portugal
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População ignora alertas (COM VÍDEO)

Apesar dos alertas da Protecção Civil para a possibilidade de isolamento durante a madrugada de ontem, a noite foi tranquila em Reguengo do Alviela, que habitualmente é a primeira aldeia do concelho de Santarém a sofrer os efeitos das cheias. Ao longo da EN365 avistam-se os campos de cultivo que rodeiam a aldeia já alagados, mas os habitantes não alteraram a sua rotina diária.
31 de Dezembro de 2009 às 00:30
Lezíria do Ribatejo
Lezíria do Ribatejo FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

As condições meteorológicas acabaram por ser favoráveis, e até a Protecção Civil decidiu diminuir o nível de alerta passando para azul (o mínimo) em alguns distritos, face à aparente normalização das bacias hidrográficas.

Vão manter-se em alerta amarelo os distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Leiria, Porto, Viana do Castelos, Vila Real e ainda Viseu.

Segundo o Instituto de Meteorologia, o estado do tempo continuará a estar condicionado pela passagem de uma depressões até dia 3, que arrasta ventos e chuvas fortes, mas está prevista uma melhoria temporária a partir de hoje no Sul e nos dias 1 e 2 no resto do Continente.

Habituados às ameaças, foram poucos os que em Reguengo do Alviela mudaram mobiliário e bens pessoais para zonas mais altas ou retiraram os animais dos locais.

"Interessa-nos é saber quantos metros o Tejo vai subindo em Constância ou na Barquinha", afirma Manuel Martinho, que assenta este raciocínio em razões quase matemáticas. "Se a água subir dois metros na Barquinha, sobe dois palmos aqui. Quando sobe sete ou oito metros e galga o Dique dos 20, na Golegã, ainda temos mais de 12 horas para tratar das nossas coisas até ficarmos isolados", explica.

A região foi ontem sobrevoada de helicóptero pelo ministro Rui Pereira, que visitou as zonas afectadas pelo mau tempo.

PORMENORES

SEIXAL

O vento forte derrubou oitoárvores em Fernão Ferro, no Seixal, o que danificou quatro habitações e uma viatura, divulgaram os bombeiros locais.

REDUZIDO ALERTA

A Autoridade Nacional de Protecção Civil diminui o nível de alerta de amarelo para azul (menos grave numa escala de quatro), hoje, na região Sul.

ESTRADAS ENCERRADAS

Cortadas sete estradas nos distritos de Lisboa, Vila Real, Beja, Castelo Branco, Santarém, Braga e Aveiro.

BENS NA ILHA DO CORVO

15 dias depois, a ilha do Corvo, nos Açores, voltou a receberontem bens de primeira necessidade por carregamento aéreo.

AGRICULTURA DO ALGARVE PERDE DOIS MILHÕES

O mau tempo no Algarve causou prejuízos na agricultura, sobretudo na quarta-feira, que ascendem a dois milhões de euros, disse ontem ao CM o deputado socialista Miguel Freitas, que vai pedir a extensão à região dos apoios decididos ontem em Conselho de Ministros. Desde que foi lançado o alerta amarelo, às 12h00 de dia 28 e até às 15h00 de ontem, os bombeiros algarvios registaram 139 ocorrências relacionadas com o mau tempo, em especial pequenas inundações em perímetro urbano, a que acorreram 631 operacionais e 263 viaturas. Faro, Olhão e Tavira foram as zonas mais afectadas. As barras de Alvor, Tavira e Vila Real de Santo António estavam ontem encerradas e a de Faro/Olhão apenas recebia embarcações com mais de dez metros. A ondulação era de cinco a seis metros. Para hoje prevê-se um desagravamento do estado do tempo.

"OUVI GRITOS E O SOM DAS TELHAS A PARTIR"

Um minitornado levou ontem de manhã o telhado a 12 casas situadas na rua Monte da Luz, em Canidelo, Vila Nova de Gaia. O incidente, apesar de ter demorado apenas alguns segundos, provocou o pânico nos populares.

"Estava em casa quando ouvi um barulho enorme. Vim à janela e já estava tudo partido. Só se via telhas e plásticos no ar. Foi assustador", contou ao CM o morador José Silva.

Embora rápido, o minitornado causou vários danos nas habitações, em especial nos telhados. Muitas pessoas chegaram a ter parte da casa a céu aberto. "Acordei com o barulho, apenas ouvia gritos e o som de telhas a partir. Quando terminou, parte da minha casa estava sem telhas, ficou um buraco enorme", explicou Lucinda Granja, de 76 anos, proprietária de uma das casa afectadas.

O incidente teve início às 08h40, altura em que grande parte dos moradores ainda se encontrava em casa, o que, por sua vez, levou a que não se tenha registado feridos.

Durante todo o dia de ontem os Sapadores de Gaia e vários funcionários da Câmara estiveram no local a avaliar os estragos e a tentar ao máximo minimizar os danos. No entanto, devido ao facto de algumas residências serem mais antigas, apenas foi possível fazer um arranjo provisório. "Os bombeiros tentaram arranjar tudo o mais rápido possível, mas como a minha casa já é antiga ainda vai demorar uns dias, até ficar tudo bem", afirmou Josefa de Jesus.

MAIS CALMO NO ALENTEJO

Ontem registaram-se algumas ocorrências no Alentejo, sobretudo no distrito de Beja, mas o dia foi "mais calmo" do que na terça-feira. Pequenas inundações e quedas de árvores ocuparam os serviços de Protecção Civil. A ribeira de Sobral da Adiça, Moura, reduziu o caudal e o dia foi dedicado à limpeza das habituações e estabelecimentos afectados. Em Ourique, dois autotanques abasteceramo depósito de distribuição de água, devido ao rebentamento de uma conduta.

BARRAGENS A TRANSBORDAR

O volume de água armazenada nas barragens está no limite, com excepção das bacias do Oeste, Sado e Arade. No seu conjunto, as 53 barragens atingem valores superiores à média dos últimos 20 anos, com particular destaque para a barragem do Alqueva, que conta com 86% e atinge agora a cota dos 149,3 metros, a um metro do seu máximo histórico, obtido em Março de 2007. A barragem do Guilhofre, na bacia do Ave, está a 100%. Douro e Tejo registam 73% da capacidade máxima.

NOTAS

ESTRELA: NEVE FECHA ESTRADA

As estradas de acesso ao maciço central da serra da Estrela fecharam ontem devido à queda de neve, revelou o comando distrital de operações de socorro da Guarda. Já estão abertas

CHEIAS: DOURO DESCE NA RÉGUA

O caudal do rio Douro desceu ontem em Pesoda Régua, o que levou a população a regressarà normalidade, com os comerciantes a reabrirem depois de uma noite de sobressalto

RÉGUA: PRESIDENTE IRRITADO

O presidente da Câmara de Peso da Régua, Nuno Gonçalves, disse que foi um "erro" as autoridades divulgarem que o rio poderia subir à marginal, causando "um temor desnecessário"

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