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Correio da Manhã

Portugal
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Pornografia do futuro

Eles chegaram para reformar os velhinhos aparelhos de vídeo e em pouco tempo começou-se a falar de uma nova sigla – DVD. Nem toda a gente sabe que significa Digital Versatile Disc (disco versátil digital), mas bem poderia ser Deusas da Virgindade Desaparecida. É que a indústria pornográfica – grande impulsionadora da popularização da tecnologia – está pronta para ser decisiva agora que se anuncia uma nova geração nos DVD.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
No que diz respeito ao entretenimento em casa, a indústria de produtos ‘culturais’ para maiores de 18 anos tem provado ser um dos principais motores no aparecimento de novas tecnologias. Os consumidores de pornografia foram dos primeiros a comprar aparelhos de vídeo, leitores de DVD e a aderirem à internet de alta velocidade. Um inquérito realizado no Reino Unido no final do ano passado mostrou que o acesso rápido a ‘sites’ pornográficos é uma das principais razões que tem levado as pessoas a ligarem-se à Net de banda larga. A pornografia é mesmo apontada como o segundo principal motivo pelo qual os utilizadores resolveram aderir à nova tecnologia de rede.
Lançando todos os anos cerca de 11 mil títulos em DVD, de acordo com a Reuters, a multimilionária indústria porno terá seguramente uma palavra a dizer num duelo entre dois blocos de gigantes tecnológicos que se digladiam para definir os padrões de uma nova geração de DVD de alta definição. A novidade deverá oferecer ao utilizador uma qualidade superior de imagem/som e uma grande interactividade, podendo escolher ver o mesmo filme de vários ângulos, seleccionados entre várias câmaras com controlo remoto.
POTENTE CONTRA BARATO
A batalha que se aproxima opõe os defensores de uma tecnologia chamada Blu-ray (entre os quais a Sony, a Philips e a Thomson, além dos estúdios Fox e Disney) aos que preferem o HD-DVD (tecnologia apoiada pela NEC, Toshiba e pela Warner Home Video). Basicamente, o Blu-ray oferece mais capacidade de armazenamento de dados – 50 gigabytes, o suficiente para nove horas de imagem e som em alta definição – enquanto o HD-DVD suporta apenas 30 gigabytes, mas tem custos de produção mais reduzidos.
Os competidores já mediram forças na semana passada, em Las Vegas (EUA), em dois campos de batalha distintos: o Consumer Electronics Show – maior feira tecnológica norte-americana – e a Adult Entertainment Expo – exposição de produtos pornográficos.
Alguns produtores consideram que devia ser o consumidor a escolher, mas, em geral, os mais pequenos apoiam o HD-DVD, mais barato, enquanto os maiores preferem o Blu-ray, pela maior capacidade.
Uma questão de tamanho, portanto.
DVD DA NOVA GERAÇÃO AINDA LONGE DE PORTUGAL
A próxima geração de DVD não deverá chegar ao mercado a curto prazo, podendo ainda haver desenvolvimentos, mas o Mundo aguarda de olhos postos nos EUA. Portugal, por enquanto, tem passado ao lado da luta pelo que será o destino dos DVD da nova geração.
Afirmando não conhecer em detalhe as tecnologias em causa, Paulo Machado, gestor de produto da Philips portuguesa, afirmou-se para já incapaz de avaliar qual será a melhor solução. “Esses produtos foram apresentados recentemente na Feira de Las Vegas e, por enquanto, não há qualquer previsão de quando é que poderão vir a ser colocados no mercado, tanto na Europa como nos Estados Unidos”, disse ao CM. “Desconheço pormenores sobre essas tecnologias. Ainda estão em desenvolvimento e ainda vai demorar um mês ou dois para se saber quando é que podem aparecer em Portugal”.
Questionado sobre o papel que a indústria pornográfica pode vir a ter na decisão por um ou outro formato, o responsável recusou-se a comentar. “Não posso falar sobre isso. Não é a minha área. Terá de perguntar a alguém da indústria cinematográfica.”
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