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PORTAGENS AUMENTAM SEM NINGUÉM SABER

Os utentes do troço Braga/Sul - Porto da auto-estrada nº3 (A3) estão indignados com a concessionária, pelo facto de, sem qualquer aviso, terem sido, ontem, obrigados, pelo menos na classe 1, a pagar mais 40 cêntimos de portagem para cada lado.
8 de Julho de 2003 às 00:00
Os utentes da A3 foram surpreendidos com um aumento de 40 cêntimos
Os utentes da A3 foram surpreendidos com um aumento de 40 cêntimos FOTO: Sérgio Freitas
Com a abertura ao trânsito da auto-estrada n.º 11 (A11), que liga Braga a Guimarães, ficou também aberta à circulação a ligação da A3 à circular urbana da cidade, algo que estava previsto há mais de três anos.
O que não estava nas previsões de ninguém, sobretudo dos automobilistas, é que essa ligação implicasse qualquer aumento da portagem.
Aliás, ao que o Correio da Manhã conseguiu apurar junto da Câmara de Braga, o compromisso da Brisa passava pela construção dos acessos gratuitos da auto-estrada à circular urbana de Braga.
As novas vias, muito ansiadas pela população, entraram em funcionamento à meia-noite de ontem, mas o reverso da medalha só foi conhecido pela manhã, quando os primeiros automobilistas cruzaram a portagem e verificaram que, em vez dos tradicionais 2,15 euros, teriam de desembolsar 2,55 euros.
“Isto é um roubo descarado”, disse ao Correio da Manhã André Sousa, que todos os dias percorre a A3, ida e volta, entre Braga e o Porto.
“Já era um sacrifício notável pagar todos os dias 4,30 euros, veja agora a ter de pagar diariamente 5,10 euros, no final do mês são mais de 110 euros (22 contos), só em portagens”, sublinhou André Macedo.
Ao longo do dia de ontem, quase todos os automobilistas que passaram na portagem Braga/Sul manifestaram o seu protesto por este aumento “sorrateiro e escandaloso” do preço da portagem, tanto mais que se tratou do único aumento do País.
“Chegamos ao ridículo que quem sair em Braga/Sul, a primeira portagem para quem viaja do Porto para Braga, pagar mais do que quem sair em Braga/Oeste, a segunda saída da A3 para a cidade dos arcebispos”, afirmou a utente Manuela Rebelo que, juntamente com meia dúzia de automobilistas combinou a organização, “para breve” de um protesto, que pode passar por uma marcha lenta, a hora de ponta, entre Braga e o Porto.
Os protestos estenderam-se também aos futuros utentes da A11, que consideraram absurdo o pagamento de dez cêntimos por quilómetros, num total de 1,20 euros, na classe 1.
Ontem mesmo, o ex-ministro das Obras Públicas, João Cravinho, que visitou algumas obras rodoviárias no distrito de Braga, manifestou-se surpreendido com o aumento e o ex--secretário de Estado, Vieira da Silva, prometeu averiguar se os aumentos estão de acordo com o contrato de concessão.
Quem se mostrou revoltado com a situação foi Mesquita Machado, o presidente da Câmara de Braga, que afirma que a construção do acesso não implicava qualquer aumento.
Contactada pelo Correio da Manhã, fonte oficial da Brisa disse apenas que a concessionária das auto-estradas “recebeu instruções do Instituto de Estradas de Portugal para abrir o acesso a Braga/Sul com novos valores de portagem”
PREÇOS
As novas vias de acesso à capital do Minho passaram, desde ontem, a ter preços considerados incomportáveis. Para além da A3, com um aumento de 40 cêntimos no troço Porto-Braga/Sul, a A11, nova auto-estrada entre as duas principais cidades do distrito, custa aos ligeiros 10 cêntimos por quilómetro. A classe 2 paga 2,05 euros, a classe 3 custa 2,65 euros e a classe 4 está em 2,95 euros. Assim, a EN101 continua entupida.
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